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250 mil venceram o cancro em Portugal

29 de Maio 2012
Ana Ferreira, uma das 250 mil pessoas que sobreviveram ao cancro em Portugal, teve aos 53 anos o primeiro de "dois maus encontros" que quase lhe ceifaram a vida. Ao diagnóstico de cancro no cólon, seguiu-se cirurgia de risco, um prognóstico muito reservado e, nove anos depois, cancro na mama.

As 58 sessões de quimioterapia não lhe retiraram o optimismo que ainda hoje, com 72 anos, a caracteriza. "Tinha um seguro de saúde e, com a família criada e a casa paga, não precisei de recorrer à Banca. Mas a maioria dos doentes não tem essa sorte e encontra inúmeras dificuldades", garante Ana. Já Luísa Costa Macedo conta que, aos 56 anos, foi surpreendida por um nódulo estranho, sinal de um tumor na mama esquerda. Foi no S. José (Lisboa) que fez uma mastectomia, quimioterapia e um implante mamário. Técnica de restauro, perdeu o emprego, mas ganhou a vida. "Sempre encarei bem a doença. Só tenho medo que o cancro seja hereditário porque na família há muitos casos".

Outro caso de sobrevivência: António Santiago tem 56 anos e sofreu um linfoma cerebral. Uma doença que o deixou três anos de baixa. A empresa em que trabalhava na altura em que as enxaquecas denunciaram o linfoma acolheu-o de volta. "Já comecei a trabalhar".

O cancro é a segunda causa de morte nos países desenvolvidos. Jorge Espírito Santo, presidente do Colégio de Oncologia da Ordem dos Médicos, diz que os sobreviventes "não sabem o que vai acontecer, a nível do emprego, relações sociais e actividades correntes. Se quiser comprar uma casa e pedir um crédito ou fazer um seguro, há sempre dificuldades", revelou, na conferência sobre sobreviventes de cancro, realizada ontem na Fundação Gulbenkian, pela Liga Portuguesa Contra o Cancro.

Por Correio da Manhã a 15 de Novembro 2015

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