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Cancro da mama preocupa mulheres açorianas que procuram a Linha de Apoio para esclarecer dúvidas

07 de Junho 2010
Desde que foi criada, emSetembro de 2007, aLinha já recebeu 7135 chamadas, a maioria proveniente de Lisboa (43 por cento)e do Porto (18 por cento), adiantam dados avançados à agência Lusa referentes a31 de Maio.
“São cada vez mais os doentes que procuram a Linha Cancrocomo forma de apoio à informação e de apoio emocional profissional”, afirma opresidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), Carlos Oliveira.
A Linha de Apoio à Pessoa com Cancro recebe uma média de 220telefonemas por mês de todo o país, incluindo os Açores e Madeira. As mulheressão quem mais procura ajuda e o cancro da mama é o que suscita maiores dúvidas,segundo a Liga Contra o Cancro.
A equipa “especializada procura encaminhar a pessoa comdoença oncológica e, sobretudo, tranquilizá-la e motivá-la para uma maiorqualidade de vida”, assegura Carlos Oliveira.
A grande maioria dos interlocutores do número 808 255 255 daLiga Portuguesa Contra o Cancro são mulheres: 73 por cento. Trinta e cinco porcento das pessoas que recorrem a este serviço procura informação sobre adoença, 20 por cento quer saber mais sobre os direitos gerais das pessoas comcancro, 17 por cento sobre os direitos legais e 11 por cento procura apoioemocional. Os doentes são os principais utilizadores deste serviço (60 porcento) e os familiares ou amigos constituem os restantes 40 por cento.
A população conhece os serviços da Linha Cancro através doscentros hospitalares (41 por cento) e da Internet (23 por cento). Quem nãoqueira telefonar, pode pedir ajuda através de correio eletrónico(linhacancro@ligacontracancro.pt ), um serviço criado pela Linha de Apoio àPessoa com Cancro há um ano.
A Linha Cancro tem como principais objectivos educar,informar, esclarecer, orientar, sensibilizar e acompanhar a pessoa com doençaoncológica. O apoio prestado centra-se em quatro áreas de intervenção: apoiosocial, emocional, esclarecimentos sobre a legislação e os direitos da pessoacom doença oncológica, além de informações sobre a doença e o seu respectivotratamento.
Em Portugal, o cancro mata anualmente 23 mil pessoas, é aprimeira causa de morte até aos 75 anos e, em termos globais, a segunda causade morte, a seguir às doenças do aparelho circulatório Centro sem resposta aonúmero de casos.

Os serviços de saúde portugueses não estão preparados pararesponder ao aumento dos casos de cancro que, segundo a Organização Mundial deSaúde, duplicarão nas próximas duas décadas, alertou o presidente do Colégio deOncologia da Ordem dos Médicos.
Um relatório da Agência Internacional de Pesquisa sobre oCancro, segundo o qual em 2030 vão registar-se cerca de 21,4 milhões de novoscasos de cancro por ano e registar-se-ão 13,2 milhões de mortes, por comparaçãocom os 12,7 milhões de novos casos e 7,6 milhões de vítimas mortais de 2008.
Jorge Espírito Santo diz que “o sistema de saúde pode ter,efectivamente, a sua sustentabilidade em causa se as medidas correctas nãoforem tomadas rapidamente”, disse.
O oncologista adiantou que os dados agora divulgadosconfirmam uma previsão anterior da OMS: “Nós já trabalhamos em Portugal nessaperspectiva e na Carta de Princípios de Coimbra [divulgada em Fevereiro de2009] já incorporámos essa situação a contar com este cenário”.
Nessa carta, os oncologistas denunciavam o “desperdício eineficiência” na utilização dos recursos empregues na luta contra o cancro epropunham uma “reforma na prática” da oncologia em Portugal.
“Também alertámos para a impreparação dos serviços de saúdeportugueses para lidar com esse aumento” do número de casos, salientou. “Os serviços têm de ser preparados para essa ocorrência edepois tentar, conforme possível, intervir a montante no sentido de prevenir edetectar precocemente a doença”, disse.
Isso deverá ser feito através dos programas, que já deveriamestar em curso, de controlo do tabagismo e da obesidade e de educação para asaúde e através da aplicação dos programas de rastreio o “mais rapidamentepossível”, acrescentou.
Para responder a todos os casos, é necessário que “osserviços se organizem e que tenham recursos humanos, meios técnicos e,sobretudo, meios financeiros adequados”.
Dezasseis meses depois dos oncologistas terem alertado paraa situação, Jorge Espírito Santo afirmou que o “impacto prático” desse alertaainda não foi o desejado, apesar de já terem sido registados alguns avanços,como a criação, pelo Governo, do documento “Requisitos para a Prática daOncologia”, em fase de elaboração final.
“Mas isso só não chega. É preciso incluir os profissionaisde saúde e os doentes no planeamento e na aplicação concreta das medidas queforem decididas”, argumentou. O responsável alertou ainda que, se “a situaçãonão mudar nada, será funesto não só para o sistema de saúde, mas sobretudo paraos doentes que vão necessitar de tratamento”. “Mas como certamente isso não iráacontecer, vamos conseguir ir arranjando um esquema adequado para que se possaincluir e absorver todos aqueles que necessitarem desses serviços”, disse. Osprofissionais estão “completamente disponíveis para colaborar e os doentestambém estão neste momento com um grau de consciencialização e com capacidadede intervir e com uma perspectiva de colaboração”.

Novos casos e mortes duplicarão até 2030. Os investigadoresda Organização Mundial de Saúde (OMS), deram o alerta. O número de casos decancro e de mortes resultantes da doença vai duplicar nas próximas duasdécadas, concluíram. Na década de 2030 vão registar-se cerca de 21,4 milhões denovos casos de cancro por ano e registar-se-ão 13,2 milhões de mortes, porcomparação com os 12,7 milhões de novos casos e 7,6 milhões de vítimas mortaisde 2008, revela a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro, que integraa OMS.
As estimativas - que integram um recurso que a AgênciaInternacional de Pesquisa sobre o Cancro disponibiliza no endereço http://globocan.iarc.fr - têm por base o crescimento e o envelhecimento populacionaisesperados para as próximas décadas e partem do princípio de que a incidência dadoença se manterá constante.
Os investigadores concluíram que a incidência do cancro e asmortes daí resultantes são maiores nos países desenvolvidos, cabendo à Europacerca de metade dos casos, seguindo-se a América do Sul e a Ásia.
Os cancros do pulmão, da mama e do colorrectal são os maisregularmente diagnosticados, devendo-se o maior número de mortes aos cancros dopulmão, do estômago e do fígado. O cancro do colo do útero e o do fígado sãomais comuns nos países pobres, ao passo que o cancro da próstata e o cancrocolorrectal afectam sobretudo as nações mais desenvolvidas.
Para Christopher Wild, diretor da agência, os dadosactualmente disponíveis podem ser úteis no estabelecer de prioridades para ocontrolo do cancro nas diferentes regiões do planeta.
Por Atlântico Expresso a 15 de Novembro 2015

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