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Cientista português desvenda genoma de um cancro da mama metastático

27 de Outubro 2009
A equipa do BC Cancer Agency, no Canadá, recorreu às maisrecentes tecnologias de sequenciação para tentar perceber qual aevolução genómica de um cancro da mama. Mais do que isso, a leitura dolivro do cancro da mama fez com que se percebesse que nem todas ascélulas de um tumor tem as mesmas mutações (ou erros), ou seja, o tumorprimário é heterogéneo. Uma conclusão importante para a definição deterapias mais eficazes, no futuro.

A equipa liderada por Samuel Aparício, investigador que durantemuitos anos trabalhou no Reino Unido, onde participou no projecto dedescodificação do genoma do peixe-balão, seguiu uma mulher com cancroda mama metastático, confrontando as mutações detectadas na fase maisavançada da doença com os "erros" nos genes do tumor primário(diagnosticada nove anos antes). O artigo publicado hoje na Naturerefere que foram encontradas 32 mutações nas células do tumor, dasquais apenas 11 estavam na fase primária da doença. Dos erros "comuns"às duas fases, apenas cinco estavam em todas as células do cancro eseis apresentavam-se com frequências bastante menores (entre um e 13por cento). Um total de 19 mutações detectadas na fase mais adiantadanão estava no tumor inicial e duas delas não foi possível estudar porquestões técnicas.

Constatou-se uma considerável evolução nas células do tumor mas oscientistas sublinham a revelação sobre a heterogeneidade do cancro. Nãoque se trate de uma hipótese que nunca tenha sido colocada mas porque,"pela primeira vez, encontramos a heterogeneidade no genoma porque sóagora é possível descodificá-lo", nota Samuel Aparício. O investigadorrealça ainda o facto de as estratégias terapêuticas actuais encararem"o cancro como uma entidade homogénea". Mas, afinal, como podemos usareste conhecimento? Poderá ter implicações no desenho de futurasestratégias terapêuticas. Porém, falta saber mais dados, é precisosaber qual a função destes erros, ou seja, estudar muitos tumores.

Aproveitando a nova geração de tecnologia de sequenciação - que foicapaz de tornar acessível em apenas poucas semanas e a baixo custo umconhecimento que há pouco tempo demorava anos, centenas de pessoas emuitas máquinas -, a equipa de Samuel Aparício vai estudar outrossubtipos de cancro da mama, num projecto que envolve já mais de 250doentes. O cientista português colabora ainda em trabalhos idênticos emcancro do ovário e linfomas.
Por Publico.pt a 15 de Novembro 2015

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