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Coimbra: Recuperar autoestima da mulher com cancro

22 de Abril 2010
Maria José Cardoso tem 44 anos e veio “de propósito” de Seia. Acompanhada da filha, dirigiu-se ao espaço do Movimento “Vencer e Viver” - sito no número 122 da Rua Pedro Monteiro - para experimentar uma peruca. É que os tratamentos contra o cancro da mama já começaram e, do lado dos médicos, já lhe disseram que o cabelo iria cair. “Com cabelo, fico melhor”, diz, sorridente, enquanto uma das voluntárias vai experimentando algumas das possibilidades existentes no mercado.

Neste “tira e põe” perucas, encontrou-se a mais indicada para Maria José Cardoso. “É quase do mesmo tom com que eu pintava o cabelo”, disse.

A escolha de perucas é apenas um dos serviços disponibilizados pelo espaço criado pela Liga Portuguesa contra o Cancro. As próteses mamárias, roupa interior e fatos de banho são vendidos “ao preço de custo”. Apesar das poucas salas do espaço, o movimento garante consultas com um psico-oncologista por parte das mulheres com cancro.

“Quando a mulher passa por um processo destes, com violentos tratamentos, queda do cabelo, das sobrancelhas, das pestanas, surgem uma série de problemas na relação com a família, com o corpo, com os filhos, e a melhoria da imagem pode ajudar a ultrapassar estes patamares”, afirmou a coordenadora do movimento, Salete Bastos.

O serviço prestado pelo movimento é inovador em todo o país, podendo ser usado por todas as mulheres que o desejem. Aliás, este apoio não está restrito às senhoras que tenham cancro da mama. “Está à disposição das mulheres que sofram de cancro”, garantiu.

O alargamento do novo serviço a outros pontos do país é o principal objectivo do Movimento Vencer e Viver, que nos últimos dois anos apoiou, directa ou indirectamente, “mais de dez mil mulheres” na região Centro.

Para desenvolverem o seu trabalho, o movimento trabalha com 82 voluntárias, as quais desenvolvem o seu trabalho nos serviços de ginecologia e oncologia de unidades hospitalares, ou através de uma linha telefónica de apoio.

Mas não se pense que este é um serviço apenas servido por mulheres. Salete Bastos referiu que, na Covilhã, o coordenador é um homem, psicólogo de profissão, o qual tem a seu cargo as consultas da área.

Para que o objectivo seja cumprido, estas voluntárias são submetidas a acções de formação. Ontem, por exemplo, Natacha Infante explicava a quatro voluntárias as diversas hipóteses existentes no mercado em termos de perucas. Informações essas que foram importantes para a visitante Maria José Cardoso.

O serviço está disponível para as interessadas entre as 10H00 e as 17H00, com interrupção para almoço, nos dias úteis.

António Alves
Por Diário As Beiras a 15 de Novembro 2015

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