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Morrem 42 mil pessoas com cancro por ano em Portugal

23 de Julho 2010
O número éassustador. Morrem por ano 42 mil pessoas com cancro em Portugal. A estatísticaé da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) que deixa ainda outro alerta. “Senão forem tomadas medidas na prevenção a nível mundial, na Europa e mesmo anível nacional, a Organização Mundial da Saúde estima que o número de mortesaumente para o dobro”, diz ao GRANDE PORTO, o presidente do Núcleo Norte daLPCC, Vítor Veloso.

Segundo os dados do responsável, anterior presidentenacional da LPCC, “a incidência é de 12, 7 milhões de novos casos de cancro emtodo o mundo. Todos os dias, em todo o mundo, morrem 7,6 milhões de pessoas comcancro”, explica o médico remetendo para os números registados em 2008. “É umnúmero catastrófico, assustador. É preciso que a União Europeia melhore aprevenção primária e secundária e o diagnóstico e o tratamento”, sublinha.

Em Portugal, Vítor Veloso, que durante mais de dez anos foi director doInstituto Português de Oncologia do Porto, lamenta que a prevenção não seja“uma tarefa muito atractiva onde o Estado deseje investir. Os resultados nãosendo imediatos, não são politicamente atractivos”, refere. Para colmatar essa lacuna, Vítor Veloso salienta aimportância da existência da LPCC. “A Liga é a única que faz esforços emPortugal na prevenção primária e tem sido a Liga a fazer o que o Estado deviafazer”, diz o clínico.

Entre as áreas onde a LPCC se destaca mais, Velososublinha o rastreio do cancro da mama. “Temos um protocolo com o Ministério daSaúde e esperamos que nos próximos três anos toda a população do Norte tenhaacesso a rastreio gratuito”, diz. A LPCC Norte prepara-se para comprar umaunidade móvel de rastreio do cancro da mama, mais uma vez à custa de peditórios.“Perdemos dinheiro com o rastreio do cancro da mama. E o Estado não dá qualquerapoio. Cada unidade móvel custa 200 mil euros e ninguém nos paga essasunidades. Ás vezes temos dádivas”, ironiza.

O responsável lamenta ainda que o rastreio do cancro do colodo útero e do cancro rectal não chegue ainda a todas as pessoas. “Não estácompletamente coberto. Não há a devida coordenação”, lamenta.

VOLUNTARIADO DA LIGA
Para Vítor Veloso o bem maisvalioso da Liga reside nos voluntários. Em todo o país a LPCC tem dois milvoluntários. Só no Porto existem 500. “Fazemos apoio nas enfermarias,distribuimos jornais e alimentação. Construímos até uma cafetaria no IPO quenos custou 300 mil euros para que os nosso doentes tenham um salão agradável”,explica Vítor Velosolembrando ainda que os voluntários, provenientes de todas as classes sociais,profissões e idades, dão também apoio psicológico aos doentes.

CORTES NO IPO
“Numa altura de crise em que o Governo pedeaos hospitais para poupar, torna-se ainda mais importante o nosso voluntariado.No IPO do Porto e Lisboa pede-se um aumento de produtividade com menos gastos.Ora se o médico tem de atender mais doentes então passa a ter menos tempo dehumanização. É ai que a Liga entra em acção”, diz.

De resto, Vítor Veloso diz que a crise também chegou à LPCC. A estruturasente os efeitos da crise em especial nos peditórios, a única forma de subsistência da LPCC. “Por isso, temos de diversificar aforma de pedir. Mas cada vez é mais difícil. Temos outras actividades daangariação de fundos. Tudo que é angariado é bem empregue na LPCC. Não temosabsolutamente nenhum apoio do Estado, salvo o apoio indirecto que é aquele queadvém da possibilidade de cada um doar 0,5 por cento do seu IRC para umaorganização não-governamental”, diz Vítor Veloso.

O médico não poupa críticas ao “dinheiro mal gasto peloEstado. “O Estado devia apoiar mais. Gasta-se dinheiro muito mal gasto. Muitosmilhões até. Ainda agora gastaram sete milhões em automóveis novos para oEstado. Acho isso inconcebível”, critica. LIGA ESTÁ BEM DE SAÚDE Apesar dascríticas, o presidente do Núcleo Norte da LPCC, diz que a “Liga está saudáveldo ponto de vista financeiro. Vítor Veloso admite, contudo, que a LPCC teve de fazer um plano deausteridade e alterar os hábitos que havia com alguns gastos. “Tentou-seapertar o cinto. Mais do que ninguém, temos de dar o exemplo. O nosso orçamentogeral é de cerca de 20 milhões de euros por ano”, esclarece o médico.

A Liga vive da solidariedade dos voluntários, contudo ofinanciamento é um ponto essencial para sua sobrevivência. É dele que depende odesenvolvimento de várias actividades viradas para a sociedade. “Todos os anosfazemos a acção ‘Um dia pela vida’ em que percorremos as cidades do Paísdurante quatro meses e em que temos acções diárias com equipas locais para aprevenção e sensibilização das populações”, afirma.

É com alguma alegria que Vítor Veloso apresenta asvalências do voluntariado da organização. “Temos uma voluntária que ainda cátrabalha, com 80 anos”, diz.
Por Grande Porto a 15 de Novembro 2015

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