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Mulheres tiram os seios para prevenir cancro

26 de Abril 2010

Há cada vez mais mulheres em Portugal a optar por retirar os seios saudáveis para prevenir o aparecimento do cancro da mama. Umas escolhem tirar os dois peitos (mastectomia profilática bilateral) e outras apenas retiraram um seio saudável depois de o outro ter sido afectado (mastectomia profilática contralateral). Os especialistas admitem que esta é a melhor medida de prevenção.

No País ainda não existem dados concretos do número de cirurgias realizadas, mas os médicos garantem que as mulheres pedem mais esta intervenção. Porém, nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 700 mulheres recorrem a esta cirurgia anualmente no caso da mastectomia contralateral e 130 na bilateral. Todavia, o estudo realizado pelo Instituto de Cancro de Buffalo ressalva que o número poderá ser maior, pois em algumas situações as cirurgias são determinadas com outro nome, porque nem todos os seguros cobrem estas operações.

"É a solução mais radical, pois há outras, mas é a que oferece mais garantias", explicou ao DN o oncologista Vítor Veloso, que este ano já realizou quatro mastectomias profiláticas.

Para o especialista, o aumento destas operações está relacionado com os avanços nas cirurgias estéticas, que permitem a reconstrução da mama no momento da decisão: "Há mulheres que aproveitam até para terem seios com os quais se sentem melhor."

A taxa de sucesso é, na teoria, de 100%. Mas há casos raros em que mesmo sem a mama o cancro poderá aparecer. "Se ficar um pouco da mama após a cirurgia, a doença poderá surgir", referiu ao DN Carlos Freire Oliveira. O oncologista prefere, por isso, colocar a percentagem de sucesso nos 98%.

Para este clínico, quando a mulher opta pela mastectomia profilática, o ideal é fazê-la aos 35 anos, ou até mais cedo, para evitar o aparecimento de tumores. No entanto, a cirurgia só é adequada a mulheres que, depois de realizados os exames, revelam grande risco de ter cancro de mama.

Em causa está a transmissão hereditária de tumores, que abrange cerca de 10% dos casos de cancro da mama, qualquer coisa como 450 casos anuais. A história familiar tem um papel essencial para determinar se esta operação é a opção desejável. Os genes BRCA 1 e o BRCA 2 são os responsáveis por esta situação, pois são supressores tumorais que quando activados impedem a proliferação celular.

Apesar de os médicos recomendarem a mastectomia profilática, ainda são muitas as pacientes que demonstram resistência em aceitar perder os seios saudáveis. "É um tipo de cirurgia para situações muito específicas e que deve ser muito bem explicada", frisou Margarida Damasceno, oncologista do Hospital de S. João.

A última decisão pertence sempre à mulher, apesar das recomendações dos médicos. A alternativa é mamografia periódica e ao surgir a mínima desconfiança de um tumor há que de imediato realizar uma ressonância magnética. Outra opção é a quimioprevenção com tamoxifeno, algo que Carlos Freire Oliveira diz ter uma baixa eficácia.

Todos os anos, há 4500 novos casos de cancro da mama em Portugal. Ou seja, 12 por dia.

Por Diário de Notícias a 15 de Novembro 2015

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