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Portugueses desatentos a cancro da boca e da faringe...

27 de Outubro 2009
Patologia representa 7% dos tumores malignos e o 5.º lugar nas localizações corporais.

Ocancro da boca e da faringe representa 7% dos tumores malignosdiagnosticados em Portugal, ocupando o quinto lugar nas localizações nocorpo, mas tem tido tão pouca atenção que justifica uma campanha dealerta.

"O cancro da cavidade oral aparece à frente das leucemiase dos linfomas, mas estes são os mais falados", observa Jorge Marinho,médico estomatologista no Centro do Porto do Instituto Português deOncologia (IPO/Porto).

Lançada pela Associação Portuguesa deMedicina Dentária Hospitalar (AMDH), designada "Sorria para si mesmo",a campanha ensina a fazer o auto-diagnóstico e informa sobre sinais dealerta.
Se surgirem manchas brancas e vermelhas, endurecimentode tecidos moles, feridas ou inchaços, por exemplo, deve ser consultadode imediato um médico - de família, ou dentista, ou estomatologista, ououtro médico de uma especialidade vizinha, como ootorrinolaringologista.

O auto-exame (ver infografia) "éfundamental para a detecção precoce da patologia", acentuou opresidente da APMH, João Leite Moreira, na apresentação da campanha,que consiste na distribuição de panfletos e cartazes contendo umpequeno guia sobre a patologia, que atinge mais os homens.

SegundoJoão Leite Moreira, doutorado pela Faculdade de Medicina Dentária daUniversidade do Porto e médico dentista no IPO/Porto, os homens "sãomais atingidos do que as mulheres, num relação de quatro para uma".

Nosexo masculino, representa cerca de 10% do total de tumores malignosdiagnosticados anualmente, ocupando o quarto lugar no conjunto delocalizações topográficas no corpo humano".
A discrepância parecedever-se ao facto de as mulheres serem geralmente mais cuidadosas com asaúde do que os homens, de alguma maneira ainda muito afirmativos daideia da supremacia física do género. Por outro lado, é uma expressãoda relação entre a dicotomia álcool-tabaco.

Embora não goste deusar dados sobre a mortalidade resultante deste tipo de patologia, queconsidera discutíveis, o presidente da APMH observa que nos homens sesitua nos 40%, sendo de 22% nas mulheres.

Acentuando aimportância da prevenção e da detecção precoce do cancro da boca, chamaa atenção para os efeitos mutilantes da cirurgia, não só ao nívelestético, com consequências para a auto-imagem, a auto-estima e a vidaafectiva e profissional, mas também de funções importantes, como adeglutição dos alimentos.
"Pouco se liga à detecção precoce", mas"quanto mais cedo se fizer o despiste maior é a chance de alcançar acura", sublinha Jorge Marinho, que preside à comissão científica daAPMDH.

"Por ser uma zona de transição entre o corpo humano, aboca tem muitas defesas, pelo que o cancro não se desenvolve tãorapidamente como noutras". Mas, "quando ultrapassa essa barreiradefensiva, as consequências podem ser desastrosas".

A campanha"Sorria para si mesmo" pretende atingir a população, privilegiando oshospitais e centros de saúde e outros locais públicos. Em Vila Real,cujo hospital distrital tem em curso um projecto na área do cancro daboca, foi criada uma acção piloto com as escolas e autarquias locais,explicou a advogada Maria Manuel Pinto, responsável pela área debioética e ciências forenses da APMDH.
Por Jornal de Notícias a 15 de Novembro 2015

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