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Saúde precisa de profissionais e melhores gestores

25 de Março 2010

Avaliação da OMS à Saúde portuguesa conclui que é necessário "pensar seriamente" na sustentabilidade financeira, contratar mais médicos de família e enfermeiros e corrigir as desigualdades.

Após dez missões em Portugal para avaliar o Plano Nacional de Saúde 2004-2010, peritos da Organização Mundial da Saúde (OMS) atribuem uma nota globalmente positiva à estratégia nacional - com metade dos 64 indicadores analisados já cumpridos ou prestes a atingir a meta prevista. Contudo, o relatório final alerta que é preciso "pensar seriamente" na sustentabilidade financeira, nos recursos humanos e nas desigualdades que persistem.

No documento, é dito que a estratégia nacional "falhou em aspectos importantes como a sustentabilidade financeira, os recursos humanos e a qualidade e segurança dos serviços de saúde". Ao final da manhã de hoje, durante a apresentação do relatório elaborado entre Agosto de 2008 e Novembro do ano passado, o líder da equipa da OMS, Jeremy Veillard, salientou ainda que "não há bons resultados no acesso a cuidados médicos especializados, são precisos mais médicos de família e enfermeiros e há diferenças entre homens e mulheres, entre os vários níveis económicos e de escolaridade da população em termos de ganhos de saúde". Nota positiva na mortalidade por acidente e cancro da mama.

O consumo de álcool e de tabaco, bem como o excesso de peso, são outros dos focos de preocupação a que os responsáveis pela Saúde em Portugal devem estar atentos. 

Em comparação com 15 dos países da União Europeia com os melhores indicadores, Portugal teve nota negativa no baixo peso à nascença, partos prematuros, esperança média de vida à nascença; nas mortes por sida, cancro cervical e enfarte, e ainda no consumo de medicamentos para doenças do foro psiquiátrico, como antidepressivos e ansiolíticos.

A Saúde portuguesa conseguiu destacar-se, ainda assim, em vários aspectos. "A mortalidade por suicídio tem uma performance pior e ainda longe da meta definida, mas continua a ser melhor do que na maioria dos outros 15 países europeus do grupo", lê-se no relatório da Organização Mundial de Saúde. O mesmo é dito sobre a média de dias de internamento hospitalar.

Segundo os autores do estudo, Portugal obteve os maiores progressos na mortalidade geral nos diferentes grupos etários, por exemplo, no número de casos mortais por doença isquémica do coração, acidentes de viação e cancro da mama. Foi ainda dada nota positiva à densidade de médicos especialistas e dentistas por habitante, à dispensa de medicamentos e ao uso de genéricos e ainda ao acesso aos cuidados primários. Reforma de médicos ameaça sucesso da estratégia.

A Alta Comissária da Saúde, Maria do Céu Machado, admite: "Aprendemos muito com esta avaliação". Segundo a responsável pelo Plano Nacional de Saúde, foram detectadas "falhas de coordenação com as Administrações Regionais de Saúde e com os seus planos regionais". A lição foi aprendida e já serviu para mudar o próximo Plano: "Agora temos reuniões para alinhar os planos regionais com a estratégia nacional". O futuro documento está em elaboração e irá centrar-se em quatro grandes eixos: acesso, qualidade, promoção da cidadania e políticas saudáveis. "Espero que seja um Plano para todos os portugueses, incluindo os que são saudáveis", salienta a alta comissária. Mas, acrescenta, o sucesso não está só nas suas mãos. Maria do Céu Machado afirma que "todos os ministérios têm responsabilidade nos ganhos ou perdas de saúde dos portugueses".

O novo regime para a reforma antecipada dos funcionários do Estado é um dos maus exemplos. "As novas regras podem comprometer tudo. Se fosse criada uma situação excepcional, poderia evitar-se a reforma antecipada em massa de médicos e, provavelmente, daqui a cinco anos teríamos o número necessário", explica.

Por Expresso a 15 de Novembro 2015

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