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Sorrisos na luta contra o cancro

28 de Agosto 2011
Chegam à Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) com grande vontade de serem uma mão amiga para os doentes oncológicos e seus familiares. Querem ser voluntários e ajudar os pacientes com um sorriso mas, para isso, têm de passar por um processo de selecção longo. Até já há lista de espera para o IPO do Porto, que reúne o maior grupo de voluntariado da LPCC a nível nacional.
 
Os voluntários do Núcleo Regional do Norte (NRN) da LPCC trabalham no IPO do Porto, onde se comprometem a dispensar, no mínimo, três horas por semana para dar apoio aos doentes oncológicos e familiares. Mas nem todos chegam a essa fase. É seleccionado um grupo de cerca de 60 voluntários, que contrasta com os 200 a 300 pedidos que existem todos os anos. Os eleitos escolhem depois entre serviços como o ‘Café com leite", serviço de acolhimento e o movimento ‘Vencer e Viver’.

O primeiro serviço consiste na oferta de cevada, sumo de laranja e biscoitos aos doentes e suas famílias.

O movimento ‘Vencer e Viver’ é especificamente para doentes com cancro da mama. Aqui, os voluntários são, obrigatoriamente, antigos pacientes. "Sou mastectomizada bilateral, fiz reconstrução mamária aos 64 anos e aconselho", explica Ercília Cardoso, voluntária. Já o serviço de acolhimento é mais visível nos corredores. Os voluntários vagueiam pelo piso da entrada principal à procura de alguém que lhes pareça inquieto. Sorriem ao doente e dizem "Olá". É o mote para o início de conversa. Nunca se fala do motivo pelo qual estão ali. Aos poucos, conhecem os doentes e criam laços. António Cruz sofreu, recentemente, uma perda grande. "Deixei-me envolver demasiado. Ainda ligo aos pais desse doente. Fazemos voluntariado, por vezes, até ao funeral."

DISCURSO DIRECTO

"VOLUNTÁRIOS TÊM ESTÁGIO DE SEIS MESES", Vítor Veloso, Pres. LPCC – Núcleo Regional Norte

Correio da Manhã – Qual é o método de selecção dos voluntários?
Vítor Veloso – Vão às entrevistas com a responsável do voluntariado e uma psicóloga e passam por uma formação intensiva com exame. Têm um estágio de seis meses a trabalhar ao lado de voluntários titulares.

– Apesar de haver lista de espera, continuam a aceitar candidaturas?
– Há necessidade de voluntários. Em Setembro, vamos começar a prestar apoio no Hospital de Santa Maria da Feira.

– Há algum motivo para o Núcleo Regional do Norte ter tantos voluntários?
– O IPO do Porto é o maior centro de oncologia do País. E considero o grupo de voluntariado o melhor do País.

– Está desde 2003 à frente do NRN. Nunca pensou em desistir?
– Esta é a minha grande causa. É um papel difícil mas nunca pensei em desistir.

O MEU CASO: MARIA AURORA

"É UM SERVIÇO DE SACERDÓCIO"

Maria Aurora trabalha há oito anos como voluntária no IPO do Porto, onde é conhecida por Maria. Mas já tem uma alcunha. "Sou a ‘Joaninha’, porque ando sempre com os braços abertos", diz, com os olhos a brilhar.

A bancária, residente no Porto, chega ao coração dos doentes através do abraço. "Há uma frase que define muito bem a palavra acolher: é o abraçar", lembra.

Começou no serviço ‘Café com leite’, ou ‘miminho do estômago’ como lhe chama, mas cedo se apercebeu de que os "doentes precisavam também de alimento para a alma". Passou a estar também no serviço de acolhimento, onde ninguém escapa ao seu olhar. "Deambulo pelos corredores e, quando vejo doentes cabisbaixos, digo ‘bom dia’. É como se fosse um nascer do Sol. Depois, a conversa flui", explica.

Tem sempre um sorriso e um abraço para dar. "Lembro--me do nome de todos os doentes", garante. O seu papel, resume, é "um serviço de sacerdócio". Só há um serviço que a deixa melindrada. "A pediatria. Ainda não estou preparada", revela, com a voz embargada.
Por Correio da Manhã Online a 15 de Novembro 2015

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