Clipping

Voltar

Um em cada cinco portugueses pode ter cancro de pele

20 de Maio 2010
Atletas de desportos ao ar livre reconhecidos como novo grupo de risco

A Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo estima que este ano, em Portugal, surjam dez mil novos casos de cancro de pele, mil deles eventuais melanomas. No dia 26, 30 serviços clínicos, que se associaram ao "euromelanoma day", farão rastreios gratuitos.

Sabia que há comprimidos que aumentam a reactividade da pele à luz, como antiinflamatórios, antibióticos, medicamentos para o colesterol ou depressões? Ou que a utilização de solários pode esgotar a resistência do organismo aos raios ultravioletas ?

Alertas como estes foram ontem sublinhados pela Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC) e pela Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV). A taxa de incidência está em crescendo. As associações estimam que, em 2010, um em cada cinco portugueses tenha cancro de pele, sendo um em cada 50 melanoma.

Apesar de a maioria dos cancros de pele ter uma elevada taxa de cura, a mortalidade no caso dos melanomas oscila entre os dez e 15%. O diagnóstico precoce é essencial. Por ano, "morrem entre 150 a 200 portugueses", referiu o subdirector-geral de Saúde, José Robalo, frisando que esses tumores não são localizados e, por isso, provocam metástases com frequência.

Além do rastreio gratuito e da reedição da publicação infantil "Brinca e aprende com o Zé Pintas", a APCC elegeu um novo público alvo: os atletas de desportos ao ar livre - atletismo, ciclismo, ténis, voleibol ou futebol de praia - entre os quais têm aparecido mais casos de cancro. Paulo Guerra, ex-atleta de corta-mato do Sporting, é um desses casos. Terminou a carreira há um ano, depois de lhe ter sido diagnosticado um melanoma, num sinal de nascença "que se modificou". "Fiz todas as asneiras", admite. "Treinei sempre sem camisola e às horas de mais calor".

Ontem, à Imprensa, aproveitou para lançar alertas: em Portugal, "é muito fácil um atleta tornar-se federado sem controlo médico"; "em 20 anos" de atletismo profissional "nunca me alertaram para os malefícios do sol".

Osvaldo Correia, secretário-geral da APCC, frisou a José Robalo que a Direcção-Geral de Saúde "tem capacidade e poder" para emitir uma recomendação às federações desportivas para alterarem os horários das provas.
Por Jornal de Notícias a 15 de Novembro 2015

Voltar
Apoios & Parcerias