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Apoio Emocional à mulher com cancro da mama

26 de Outubro 2016
Apoio Emocional à mulher com cancro da mama
Entrevista a Olga Braz Pereira, Coordenadora Regional do MVV do Núcleo Regional do Centro (NRC), integrada na terceira edição da Newsletter O Que Nos Liga - Voluntariado em Oncologia, do NRC.
O Movimento Vencer e Viver (MVV) teve origem nos Estados Unidos da América, por iniciativa de Teresa Lasser, uma mulher que teve também cancro da mama. Em Portugal, o MVV é desenvolvido pela Liga Portuguesa Contra o Cancro, através dos seus Núcleos Regionais. Teve início em 1981 no Porto e em Lisboa, e, este ano, comemora 30 anos de existência na Região Centro. Olga Braz Pereira, Coordenadora do MVV da LPCC, abraça esta causa “de mãos dadas com outras mulheres, seus pares”, mostrando como “é possível vencer e viver”.

O que significa para si o compromisso do voluntariado no Movimento Vencer e Viver (MVV)?
OBP: Não é fácil responder de uma forma concisa a esta pergunta, uma vez que as palavras ‘compromisso’ e ‘voluntariado’ são muito relevantes. Posso dizer-lhe que se baseia num envolvimento de uma mulher que, ao decidir ser voluntária após ter passado por todo um processo idêntico, se entrega a uma causa de mãos dadas com outras mulheres, seus pares.
É agir, apoiando, para suavizar o impacto de um diagnóstico que ninguém quer ouvir; é dar um sorriso de esperança porque eu venci o cancro; é assumir uma responsabilização individual e social, ter uma intervenção ativa na comunidade; é oferecer um pouco de mim e do meu tempo em prol de uma causa que tanto me sensibiliza e inquieta. E quando nos entregamos de uma forma aberta, coesa e sincera todos os intervenientes e todas as partes beneficiarão.  
 
Em que consiste o trabalho do MVV? Que ações desenvolve e quais os seus objetivos?
OBP: Como já disse, o MVV é um movimento de entreajuda, não só à mulher desde o momento em que lhe é diagnosticado o cancro da mama, mas também aos seus familiares e amigos. É desenvolvido muito particularmente por voluntárias, outras mulheres que já passaram pela mesma situação.
Os objetivos e as atividades do MVV estão interligados e são coerentes. Muito resumidamente saliento que apoiamos, alertamos, divulgamos, angariamos e somos um incentivo, um estímulo, de que é possível vencer e viver.
 
Quantas mulheres apoia anualmente o MVV?
OBP: Penso não haver necessidade de recuar muito no tempo. Posso dizer que no ano 2015 o número de mulheres apoiadas nas 7 extensões do MVV chegou próximo das 3000 e este ano, só no 1º semestre, já foram atendidas perto de 1600 mulheres.
Mas estes números referem-se às mulheres que nos contactam nas extensões do MVV para aquisição de um artigo que necessitem. Todas as mulheres que visitamos nos hospitais da região centro, as que nos procuram para pedirem um conselho, porque sentem necessidade de falar, de desabafar, de terem quem as saiba ouvir, as que encontramos na rua, nos contactam por telefone... essas não entram neste registo.
Com satisfação, quero salientar que, em Coimbra e na Guarda, após a alteração feita, este ano, dos locais onde funcionam as respetivas extensões, a procura dos nossos serviços aumentou consideravelmente.
 
Através do MVV têm sido oferecidas às mulheres com cancro da mama, submetidas a tratamento nas unidades hospitalares da Região Centro, almofadas e sacos para os drenos. Como é feita esta oferta e quantas mulheres se estima já tenham beneficiado dela?
OBP: Desde a criação do MVV, as voluntárias fazem a visita a todas as mulheres no pós-operatório da cirurgia da mama, nos hospitais onde este tipo de cirurgia é realizado. A ideia de oferecer saquinhos para os drenos e almofadas para prevenir o edema no braço surgiu em 2009, quando um grupo de alunos, sensibilizado pelo testemunho de uma professora recentemente operada, se uniu num gesto solidário que envolveu avós, mães, amigas… enfim, a comunidade, para a confeção destes materiais. Rapidamente juntaram muitas unidades que ofereceram ao MVV, de forma a que pudessem ser entregues, pelas voluntárias, às utentes hospitalizadas. Este gesto foi tão bem acolhido que de imediato pusemos mãos à obra para dar continuidade ao projeto. Todos os anos, oferecemos cerca de 1500 unidades. Hoje contamos com o apoio de algumas associações que confecionam almofadinhas e saquinhos, o que é uma preciosa ajuda.

O MVV tem um espaço inovador que pretende apoiar as mulheres na adaptação à sua nova aparência. Como funciona?
OBP: O Espaço de Imagem alia toda a componente de disponibilização, em Coimbra, de próteses capilares, turbantes, etc., com a possibilidade de corte de cabelo, personalização da prótese capilar e aconselhamento especializado através de um grupo de cabeleireiras (também em Coimbra), que fazem o atendimento a mulheres e homens. Num espaço acolhedor e num ambiente íntimo, há sempre lugar ao apoio emocional por parte da voluntária do MVV. Realço que estes serviços são totalmente gratuitos.

O MVV organiza desde 2010 as Caminhadas “Pequenos Passos, Grandes Gestos”, uma iniciativa inovadora a decorrer em simultâneo em sete cidades. As caminhadas têm registado um crescendo de participantes, sendo uma grande mostra de solidariedade. Quantas pessoas já se reuniram em torno desta iniciativa?
OBP: Agradeço esta pergunta. A importância desta Caminhada, começa pela data em que se realiza – 1º sábado de outubro, mês internacional da Prevenção do Cancro da Mama, e este é o seu objetivo principal.
Esta iniciativa é muito marcante em toda a Região Centro, única região onde se realiza, não só para as voluntárias do MVV, como para a comunidade. De tal forma que, em algumas cidades, já envolve concelhos circundantes. Posso dizer que já ultrapassou fronteiras. A união a esta causa de entidades, instituições, associações, empresas e muitos particulares e o seu espírito de solidariedade são manifestos e por nós reconhecidos. Mas a resposta cada vez mais positiva da comunidade, deve-se ao empenho das voluntárias que não desistem, não baixam os braços, e todos os anos elevamos a fasquia dos objetivos. Esta conjugação de esforços é muito bonita.
 
Em que medida ser voluntária do MVV é uma forma de entreajuda também para a voluntária?
OBP: Alguém afirmou: “Capacitar não é ensinar. É viver para aprender.” Ser voluntária é algo que se vai edificando dentro de nós, construindo uma consciência para se ser voluntária. Só se compreende e alcança quando nos envolvemos ativamente numa causa, para que possamos aprender, crescer e dar. Para completar algumas ideias já expostas, direi que, ser voluntária do MVV é uma forma de relativizarmos os nossos problemas, porque vamos conhecendo outros, tantas vezes bem mais graves.
 
Como pode uma mulher com cancro da mama ser voluntária do MVV?
OBP: Terminado o tratamento do cancro da mama, qualquer mulher se pode candidatar ao voluntariado no MVV, bastando um contacto direto com o Núcleo ou nas Extensões do MVV, para posterior entrevista de seleção. Aproveito para fazer o apelo pois necessitamos de mais voluntárias. (…)

 
Por Núcleo Regional do Centro a 26 de Outubro 2016

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