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Ana Fazenda

30 anos Pâncreas, 2010, Familiar
O meu pai queixava-se há alguns dias de cansaço. Mas para alguém que trabalhava quase 12 horas por dia, mais não podia do que ser normal. Um dia queixou-se de uma má disposição e uma dor de lado, um peso, dizia ele. Quase de um dia para o outro, emagreceu imenso. Numa semana, fez todos os exames possíveis e imaginários. E no dia 24 junho de 2010 o nosso mundo desabou. Ao ler os exames, sentia que perdia o chão. Um tumor no pâncreas, com metástases no fígado. Era o resultado. O internamento foi imediato, a medicação com morfina também. Entre 3 a 6 meses de vida. Era o diagnóstico médico. Durante 3 semanas passámos os dias, todas as horas que pudemos ao lado dele, num quarto de hospital. Vimos os jogos da seleção nacional no hospital, sem cervejas, nem vuvuzelas. Mas todos juntos, a comemorar e a vibrar, como sempre fizéramos em casa. No dia 17 de julho, às 18.15, partiu em paz. Estávamos os quatro juntos, como sempre estivemos, nas horas boas e más. Dentro dos limites que um tumor no pâncreas deixa, ele lutou. Lutámos todos. Mas venceu-nos. Apesar de ser uma dor imensa, e de nestes quase 8 meses não haver um dia em que não chore por ele, por o ter perdido, sei que foi melhor assim. A dor de o ver sofrer e não podermos fazer nada é maior do que a dor da perda. Hoje, é mais fácil falar, escrever e ouvir a palavra cancro. A revolta é menor. Mas sei que durante toda a minha vida vou perguntar: porquê ele? porquê nós? A todos os que lutam contra esta doença, a minha palavra de força. Nunca desistam, por vocês e pelos que vos amam. E aos familiares, permaneçam ao lado dos que amam. Nunca esmoreçam. As forças, essas aparecem onde nem sonhamos que existem. Mas elas estão lá, para nos dar resistência para os acompanhar em todo o processo.
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