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Cuidados de alimentação e nutrição em tempo de pandemia

Cuidados de alimentação e nutrição em tempo de pandemia
Recomendações para os doentes oncológicos fortalecerem a saúde e evitarem possíveis infeções
Os doentes oncológicos devem tomar decisões sobre a sua alimentação sempre em conjunto com a sua equipa de saúde. Neste tempo de isolamento social em que está obrigado a ficar em casa, aproveite para capacitar o seu organismo, para observar a sua forma física, vigiar as suas condições metabólicas e assegurar-se que as restantes patologias de que possa padecer como a diabetes, hipertensão ou colesterol alto (entre outras) possam estar o melhor controladas possível.
Deve fazer um esforço por manter a adesão aos medicamentos prescritos pelo seu médico e às recomendações de um estilo de vida saudável. Esta atitude será sempre benéfica seja para combater qualquer infeção, seja por se encontrar a aguardar tratamento, cirúrgico ou médico (quimioterapia, imunoterapia entre outras) ou se já estiver com tratamento em curso.
Convidamos a Dra. Paula Alves - Nutricionista e Diretora do Serviço de Nutrição e Alimentação do IPOPFG, E.P.E, para apresentar algumas recomendações em relação aos cuidados que os doentes oncológicos devem ter na preparação da sua alimentação, ao nível da higienização e das características nutricionais dos alimentos.

HIGIENIZAÇÃO e ESCOLHA DOS ALIMENTOS
1- Coloque em prática as recomendações de higiene e segurança alimentar
preconizadas pela Direção-Geral de Saúde [MANUAL COVID-19 Orientações na área da Alimentação] desde a escolha/compra até à preparação dos alimentos. Não descuidando o correto armazenamento dos produtos alimentares, na chegada ao domicílio, com a remoção de embalagens e a higienização das que não dê para remover.
2- Faça uma lista de compras semanal, considerando, o que ainda tem em casa. A elaboração de um plano de ementa semanal ajuda a evitar o desperdício. Prefira fazer as compras no início do dia, já que que os produtos poderão ter sido menos manipulados por outros clientes.
3- Use luvas para retirar os alimentos das prateleiras/expositores (de preferência peça a outra pessoa para fazer as compras). Vá preenchendo o seu carrinho de compras com produtos hortofrutícolas frescos e de cor variada, pense na quantidade suficiente para o consumo imediato (3 dias) mas também para congelar parte, para que nunca lhe falte e permitindo desta forma, não só, preservar o seu valor nutricional, mas também espaçar as deslocações.
4- Prefira os produtos alimentares de produção local ou nacional e da época sazonal. Opte por frutas de casca grossa mas se forem de casca fina, lave-as, desinfete-as e descasque-as, sempre. Pelo risco microbiológico que apresentam, não faça bebidas (shots, batidos ou sumos) utilizando frutas com casca, vegetais e ervas aromáticas cruas, principalmente se a imunidade estiver comprometida por tratamentos.
5- Reforce a ingestão proteica com recurso a alimentos como o ovo e as leguminosas, grão, feijão, ervilhas, lentilhas, que podem integrar as suas refeições principais diárias (almoço e jantar). Os produtos lácteos que em relação ao seu consumo, em contexto oncológico, encontram-se envoltos de mitos e controvérsias, felizmente sem fundamento científico, não devem ser ignorados pela riqueza nutricional que apresentam. No caso dos iogurtes e sobremesas lácteas opte pelos de baixo teor de açúcares de adição e no caso de intolerância à lactose, existem variantes sem lactose. No caso de comprovada má tolerância total aos produtos lácteos opte por bebidas vegetais, reconhecendo que poderão ter um menor teor de proteínas e de vitamina D por isso é desejável a cuidada analise o rótulo e a escolha dos que apresentam um aporte mais próximo dos valores do leite em natureza. A propósito da vitamina D, dados recentes de um estudo da população adulta portuguesa, encontrou cerca de 60% de insuficiência ou carência desta vitamina (FCNAUP, Universidade do Porto). Associada à habitual menor exposição solar, da época do ano, adiciona-se agora o confinamento no domicílio, antevendo-se assim um prologado recurso às reservas pessoais de vitamina D. Sabemos que esta vitamina desempenha um papel importante, regulador e modelador, na imunidade e convém salvaguardar que estes níveis se encontrem a ser repostos. A melhor opção será escolher alimentos fortificados nesta vitamina como por exemplo: o leite ou os cereais de pequeno-almoço, mas atenção ao teor de açúcar adicionado a estes últimos, que deve ser dos mais reduzidos. A suplementação farmacológica reserva-se a uma decisão da sua equipa de saúde, pois a avaliação da pertinência do reforço de vitamina D no seu caso em concreto, deverá ser ponderada clinicamente, já que o excesso poderá acarretar prejuízo, principalmente no contexto oncológico.
6- Faça uma alimentação o mais colorida possível, seguindo o exemplo do arco-íris, também ele símbolo de esperança nesta fase de pandemia. Nos legumes e hortícolas frescos e coloridos (com os devidos cuidados já mencionados previamente) obtém as vitaminas, sem sombra de dúvida importantes para a manutenção do sistema imunitário em alturas de stress acrescido. Para além da Vitamina D e da C (tradicionalmente associada às infeções), são também dadas como importantes as vitaminas A, E e K. Estas poderão ser melhor aproveitadas pelo organismo (biodisponibilidade) se cozinhar os legumes e hortícolas coloridos com um pouco de azeite, desta estratégia potenciadora, a sopa é um bom exemplo.
7- Ingira cerca de 1,5L a 2L de água por dia – principalmente sob a forma natural, sem particularidade de pH ou sob a forma de tisanas ou chás não açucarados.
8- Evite alimentos de má qualidade nutricional, isto é muito processados e com elevado teor de açúcar, gordura e sal. Tem-se, com alguma preocupação, observado alguns casos de COVID-19 severa em doentes portadores de comorbilidades associadas a um metabolismo desregulado, tais como diabetes, obesidade, aumento das gorduras sanguíneas e hipertensão arterial. Lembre-se de que poderá ter menor acesso a exercitar-se, como tal, a ingestão de alimentos deve ser equilibrada, parcimoniosa e prudente. Acima de tudo tenha consciência de que existe muita desinformação e soluções aparentemente “milagrosas” que carecem qualquer mais-valia ou evidência científica e podem por em risco a eficácia do seu tratamento oncológico e torna-lo mais vulnerável a contrair uma infeção alimentar que neste contexto poderá ser particularmente grave.


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Ligue para a LINHA DE APOIO ONCOLÓGICO COVID-19:  800 919 232  (chamada gratuita de 2f a 6f, das 8h30 às 17h30).
Por Núcleo Regional do Norte a 14 de Maio 2020

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