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Sobreviver ao cancro: quando o fim dos tratamentos não é o fim do caminho
Viver depois de um diagnóstico oncológico exige respostas que vão além da doença, como apoio psicológico, social, jurídico, nutricional, acompanhamento clínico e espaços de partilha.
Há uma frase que muitos sobreviventes de cancro conhecem bem: “Agora é voltar à vida normal.” Mas, para quem atravessou um diagnóstico oncológico, a palavra “normal” nem sempre regressa com o mesmo significado.
O fim dos tratamentos pode trazer alívio, esperança e gratidão. Mas pode também abrir uma nova etapa feita de medo de recidiva, fadiga, alterações físicas, dúvidas sobre o futuro, dificuldades no regresso ao trabalho e vida social, impacto financeiro, mudanças na vida familiar e necessidade de reconstruir a confiança no próprio corpo. Sobreviver ao cancro é, muitas vezes, aprender a viver depois dele. De acordo com o relatório Cancer Statistics 2026, da American Cancer Society, a mortalidade por cancro diminuiu 34% desde 1991 nos Estados Unidos, o que corresponde a cerca de 4,8 milhões de vidas salvas. O mesmo relatório estima que os ensaios clínicos financiados publicamente tenham contribuído para mais de 14,2 milhões de anos de vida ganhos desde 1980. Embora se refiram à realidade norte-americana, estes números refletem a tendência global de que a investigação científica tem permitido tratar melhor e aumentar a sobrevivência dos doentes oncológicos. Mas com o sucesso advêm novas perguntas. Que vida esperam os sobreviventes depois dos tratamentos? Como se acompanham os efeitos tardios da doença e dos tratamentos? Que respostas existem para quem regressa ao trabalho, à família, à intimidade, à vida social ou aos projetos interrompidos? E como se apoiam os sobreviventes mais jovens, num contexto em que alguns cancros de início precoce, como o da mama e o colorretal, têm vindo a merecer preocupação crescente?
A Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) defende que a sobrevivência ao cancro deve ser entendida como uma área própria dos cuidados oncológicos. Não se
trata apenas de vigiar recidivas ou novos cancros, trata-se de acompanhar os efeitos físicos, psicológicos, sociais, laborais e financeiros da doença. A própria Estratégia Nacional de Luta contra o Cancro 2021-2030 reconhece esta dimensão. O documento assume como objetivo aumentar a sobrevivência e melhorar a qualidade de vida dos doentes oncológicos, apoiar a reinserção social e profissional dos sobreviventes e prestar apoio aos cuidadores. No chamado “Pilar dos Sobreviventes”, são identificados problemas como a gestão insuficiente dos efeitos tardios e de longo prazo dos tratamentos, as falhas de coordenação entre prestadores de cuidados, as necessidades psicossociais não atendidas, a reabilitação, a angústia emocional, a recidiva e a doença metastática. Sobreviver ao cancro não significa que tudo tenha terminado. Significa que começa uma nova fase, com necessidades próprias. “No princípio achava que não, achava que era o fim da minha vida. Atualmente faço tudo o que as outras pessoas fazem: como tudo o que quero, vou à praia, vou à piscina, etc”, refere Isabel Mónica, sobrevivente de recidiva de cancro do reto. O medo da recidiva é algo que também atormenta muitos sobreviventes de cancro. Pode surgir antes de uma consulta, de um exame de rotina ou perante qualquer sintoma novo que surja. A ansiedade, a depressão, o trauma, a fadiga, a dor, as alterações cognitivas, a infertilidade, a menopausa precoce, as alterações na imagem corporal e a disfunção sexual são algumas das consequências descritas pelas orientações da European Society for Medical Oncology (ESMO) para a sobrevivência ao cancro.
A recuperação passa, por isso, por respostas que vão além do acompanhamento médico. O apoio psicológico, social, jurídico e nutricional, bem como os grupos de entreajuda, podem desempenhar um papel importante na adaptação à vida após o cancro, ajudando a responder a desafios relacionados com a saúde emocional, o regresso ao trabalho, as dificuldades económicas e a reorganização da vida familiar. No Núcleo Regional do Sul da Liga Portuguesa Contra o Cancro, o apoio ao doente
oncológico e à família concretiza-se em várias respostas: apoio psicológico, apoio social, apoio jurídico, consultas de nutrição, consultas de cessação tabágica, voluntariado e grupos de entreajuda. Estas respostas procuram acompanhar o doente para além do diagnóstico, reconhecendo que a doença oncológica afeta não apenas o corpo, mas também a vida familiar, emocional, profissional, social e económica.
Fontes
https://www.dgs.pt/documentos-em-discussao-publica/estrategia-nacional-deluta-contra-o-cancro-2021-2030-entra-em-consulta-publica-pdf.aspx
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39689426/d3f309c6-bf9e-47a6-b63c-14e4e22b3ebc_en
https://ordemdosmedicos.pt/sobrevivencia-ao-cancro-aumenta?utm_source=
https://dam.esmo.org/image/upload/v1671553955/For%20patients/Patient%20Guides/Survivorship/EN-ESMO-Patient-Guide-Survivorship.pd
O fim dos tratamentos pode trazer alívio, esperança e gratidão. Mas pode também abrir uma nova etapa feita de medo de recidiva, fadiga, alterações físicas, dúvidas sobre o futuro, dificuldades no regresso ao trabalho e vida social, impacto financeiro, mudanças na vida familiar e necessidade de reconstruir a confiança no próprio corpo. Sobreviver ao cancro é, muitas vezes, aprender a viver depois dele. De acordo com o relatório Cancer Statistics 2026, da American Cancer Society, a mortalidade por cancro diminuiu 34% desde 1991 nos Estados Unidos, o que corresponde a cerca de 4,8 milhões de vidas salvas. O mesmo relatório estima que os ensaios clínicos financiados publicamente tenham contribuído para mais de 14,2 milhões de anos de vida ganhos desde 1980. Embora se refiram à realidade norte-americana, estes números refletem a tendência global de que a investigação científica tem permitido tratar melhor e aumentar a sobrevivência dos doentes oncológicos. Mas com o sucesso advêm novas perguntas. Que vida esperam os sobreviventes depois dos tratamentos? Como se acompanham os efeitos tardios da doença e dos tratamentos? Que respostas existem para quem regressa ao trabalho, à família, à intimidade, à vida social ou aos projetos interrompidos? E como se apoiam os sobreviventes mais jovens, num contexto em que alguns cancros de início precoce, como o da mama e o colorretal, têm vindo a merecer preocupação crescente?
A Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) defende que a sobrevivência ao cancro deve ser entendida como uma área própria dos cuidados oncológicos. Não se
trata apenas de vigiar recidivas ou novos cancros, trata-se de acompanhar os efeitos físicos, psicológicos, sociais, laborais e financeiros da doença. A própria Estratégia Nacional de Luta contra o Cancro 2021-2030 reconhece esta dimensão. O documento assume como objetivo aumentar a sobrevivência e melhorar a qualidade de vida dos doentes oncológicos, apoiar a reinserção social e profissional dos sobreviventes e prestar apoio aos cuidadores. No chamado “Pilar dos Sobreviventes”, são identificados problemas como a gestão insuficiente dos efeitos tardios e de longo prazo dos tratamentos, as falhas de coordenação entre prestadores de cuidados, as necessidades psicossociais não atendidas, a reabilitação, a angústia emocional, a recidiva e a doença metastática. Sobreviver ao cancro não significa que tudo tenha terminado. Significa que começa uma nova fase, com necessidades próprias. “No princípio achava que não, achava que era o fim da minha vida. Atualmente faço tudo o que as outras pessoas fazem: como tudo o que quero, vou à praia, vou à piscina, etc”, refere Isabel Mónica, sobrevivente de recidiva de cancro do reto. O medo da recidiva é algo que também atormenta muitos sobreviventes de cancro. Pode surgir antes de uma consulta, de um exame de rotina ou perante qualquer sintoma novo que surja. A ansiedade, a depressão, o trauma, a fadiga, a dor, as alterações cognitivas, a infertilidade, a menopausa precoce, as alterações na imagem corporal e a disfunção sexual são algumas das consequências descritas pelas orientações da European Society for Medical Oncology (ESMO) para a sobrevivência ao cancro.
A recuperação passa, por isso, por respostas que vão além do acompanhamento médico. O apoio psicológico, social, jurídico e nutricional, bem como os grupos de entreajuda, podem desempenhar um papel importante na adaptação à vida após o cancro, ajudando a responder a desafios relacionados com a saúde emocional, o regresso ao trabalho, as dificuldades económicas e a reorganização da vida familiar. No Núcleo Regional do Sul da Liga Portuguesa Contra o Cancro, o apoio ao doente
oncológico e à família concretiza-se em várias respostas: apoio psicológico, apoio social, apoio jurídico, consultas de nutrição, consultas de cessação tabágica, voluntariado e grupos de entreajuda. Estas respostas procuram acompanhar o doente para além do diagnóstico, reconhecendo que a doença oncológica afeta não apenas o corpo, mas também a vida familiar, emocional, profissional, social e económica.
Fontes
https://www.dgs.pt/documentos-em-discussao-publica/estrategia-nacional-deluta-contra-o-cancro-2021-2030-entra-em-consulta-publica-pdf.aspx
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39689426/d3f309c6-bf9e-47a6-b63c-14e4e22b3ebc_en
https://ordemdosmedicos.pt/sobrevivencia-ao-cancro-aumenta?utm_source=
https://dam.esmo.org/image/upload/v1671553955/For%20patients/Patient%20Guides/Survivorship/EN-ESMO-Patient-Guide-Survivorship.pd
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