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Ana Cristina Mendes Ramos

31 anos Leucemia, 2011, Doente
Decidi participar neste testemunho pois, da mesma forma, quando me foi diagnosticada a leucemia, eu procurei informações e testemunhos sobre esta doença que se atracou a mim, sem me pedir licença. Tentei procurar alguns casos para saber o que me esperava nesta caminhada. Mas com o tempo apercebi-me que cada doente é um doente, nenhum de nós passa exatamente a mesma coisa, depende de muitos fatores mas principalmente de nós, da nossa força de vontade, vontade de viver. E eu tenho essa vontade e isso é 50% da cura. Existem vários tipos de leucemia, o meu é leucemia aguda promielocitica. Dia 21 de fevereiro de 2011, segunda-feira, depois de uma semana ter sangrado nas gengivas e de ter ido ao dentista, pensando eu que era devido a usar aparelho ortodôntico, até que no fim de semana reparei que a minha urina tinha sangue. Na segunda-feira fui trabalhar e decidi ligar para o centro de saúde a marcar uma consulta para a minha médica de família, por sorte tive consulta pelas 16:30h. Depois de explicar o que me estava a acontecer e ter verificado o nível máximo de sangue na minha urina, através de um teste no centro de saúde, passou-me uma série de exames (...). Não me explicaram o que suspeitavam só me disseram que tinha de fazer exames porque tinha as plaquetas a os leucócitos baixos. Colocaram-me uma máscara e entretanto vi a médica, que eu conhecia, e perguntei se estavam a desconfiar que tivesse leucemia. E assim começou a minha nova vida, fui internada na hematologia e fiz um mielograma e o resultado foi o que mais temia. A minha médica, que para mim é o meu Deus na terra, explicou tudo mas eu estava em pânico não ouvi nada, só me ficou uma frase na minha mente "A Ana tem uma doença grave mas tem cura" e essa frase acompanha-me até agora e penso nela em alguns momentos. Momentos menos fáceis, pois tenho medo de morrer, como qualquer ser humano. O meu tratamento começou de imediato, uma enfermeira veio com um tabuleiro cheio de tubos e agulhas, ai começou a minha nova etapa. Ao meu lado tinha uma menina de 18 anos, sem cabelo, o que me chocou quando eu entrei no quarto e mais ainda ao meu namorado quando veio ter comigo, pois ainda não estava em si do que me estava a acontecer. Está a ser difícil para ele, para a minha mana, os meus pais, os meus primos e os meus amigos. Comecei a quimioterapia. No sábado seguinte a minha melhor amiga cortou o meu cabelo pelos ombros. Passaram os dias e o meu cabelo não caiu, caiu algum mais tarde, mas não todo. Tinha duas peladas e decidi rapar o cabelo, até hoje ainda não me caiu todo, está muito raro mas tenho cabelo. Optei por usar lenço e não implante capilar (…). O meu primeiro internamento foi de um mês, foi duro pois tive várias infeções e apanhei a gripe A. Esses dias foram muito duros (…). Ao fim de 10 dias estava recuperada da gripe e os meus valores tinham subido, a boa notícia chegou e fui para casa depois de um mês. Em casa tenho sempre muitos cuidados e nunca estou sozinha, tenho uma mana fantástica. (…) No meu segundo internamento só fiz a quimioterapia, começou a ser complicado para me encontrarem as veias. (…) Regressei a casa e a recuperação não foi má, não necessitei de transfusões nem de ficar novamente internada. O terceiro internamento foi mais complicado, felizmente estava num quarto sozinha. Tive vómitos, diarreia e perdi a vontade de comer. estava completamente enjoada. Tive alta e passado dois dias o meu apetite voltou. Tudo isto é normal, os cuidados continuam em casa. Ainda estou em tratamentos e as quimioterapias não terminaram, mas a minha força de vontade também não. Tenho sede de viver e não vou deixar de sorrir e lutar.
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