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Ana Paula Pinto

47 anos Melanoma, 2004, Familiar
A minha filha era linda. Morena, olhos grandes, pele de cetim. Aos 18 anos, um pequeno sinal preto, redondo, bonito apareceu no meio da sua face. Ficava-lhe muito bem. Ela era exótica, elegante, inteligente. A sua presença marcava tudo e todos por onde passava. Chamava-se Margaret (Margot). O sinal cresceu, alterou a cor e a forma; sangrou. Ela pedia-me para o tirar, para ir à dermatologista. Eu, que pensava ser apenas uma questão estética e o sinal continuava a ficar-lhe bem, tardei em ir. Talvez uns meses. Foi tarde de mais. Diagnóstico: melanoma maligno. Fez 5 cirurgias. Tratamento de radioterapia por 3 ciclos. Quimioterapia. E tudo o mais que pode e quis experimentar. Faleceu horas depois de completar 24 anos. O cancro venceu-a na morte, mas não venceu a sua vida. Lutou heroicamente sempre com um sorriso no rosto. Espalhava esperança. Acreditava na sua cura. Nunca desanimou. Nunca me culpou por ter tardado em ir ao médico. Eu, a única desculpa que posso ter (se é que isso justifica) era a ignorância sobre a gravidade daquele tipo de cancro e dos sinais de alerta para um diagnóstico atempado. Talvez ela não tivesse morrido... mas tardei... partiu no meio de um enorme sofrimento. Cega, sem mobilidade, sem se poder mexer ou ser tocada. Era a minha filha e eu contribuí para a sua morte. Se puder evitar que esta situação se repita, onde quer que seja, já me sentirei reconfortada. Gostava que a sua mensagem de luta e de coragem fosse do conhecimento de todos. Ela foi um anjo e uma lutadora. Queria que ninguém desistisse porque ela não iria desistir de lutar. A minha estrelinha azul agora vela por nós. Que ninguém descure o rastreio, o diagnóstico, a prevenção. Poderá ser a diferença entre a vida e a morte.
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