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António Inácio Ferraz

58 anos Colo-Rectal (Intestino), 2008, Doente
Em 18 de janeiro de 2008, depois da ida ao WC, vi a sanita com muito sangue. Nesse dia, fui ao médico. Uma semana depois fiz uma colonoscopia. Foi-me diagnosticado um cancro nos intestinos. O médico mandou-me ir no dia seguinte ao Hospital e a 28 de fevereiro fui ali operado. Em 31 de março iniciei os ciclos de quimioterapia semanais (num total de seis). A meio da quimioterapia fui fazer 28 sessões de radioterapia ao IPO. Em outubro de 2008 terminei os tratamentos. Isto tudo alterou a minha vida profundamente. Parece que o mundo desabou à minha volta com consequências tremendas para a minha família. Os efeitos secundários foram muito violentos: a perda de apetite, o emagrecimento, a queda do cabelo e muito mais coisas. O mais grave foi uma profunda depressão. Não tenho palavras para agradecer todo o cuidado e carinho que me foi prestado por todo o pessoal médico, de enfermagem e auxiliar do Hospital de Dia e pelo serviço de radioterapia do IPO. Foram excecionais. Na depressão valeu-me a assistência do serviço de psiquiatria do IPO. Durante a doença eu não queria falar com ninguém, não via televisão, não lia jornais nem livros de qualquer espécie. Eu estava triste e deprimido, mas nunca revoltado por me acontecer a mim e não a outra pessoa. Passado este tempo (cerca de 3 anos) sinto-me muito bem. Continuo nas consultas semestrais (a próxima será em 13 de abril próximo) no hospital. Atualmente não tenho medos de espécie alguma. Fica aqui o meu agradecimento aos serviços hospitalares, bem como a tantas pessoas amigas que me deram apoio e um agradecimento especial à minha esposa porque se não fosse ela eu teria morrido, porque eu perdi o apetite de comer na totalidade e ela com todo o carinho e muito esforço foi conseguindo que eu me alimentasse minimamente para poder aguentar os tratamentos que foram muito agressivos. Como disse, hoje sinto-me bem, voltei a ganhar peso, tenho apetite, ando a pé e de bicicleta, trabalho no campo a fazer a minha horta (estou reformado), aprecio a natureza. Agradeço a Deus esta força de viver que tenho. Tenho ainda tempo para fazer algum voluntariado junto de alguns vizinhos idosos que têm os familiares ausentes. O conselho que deixo a todos os meus amigos é que façam, sempre que possível, exames de rastreio e tenham especial atenção aos seguintes sinais de alerta: - Espessamento, massa ou “uma elevação” na mama ou em qualquer outra parte do corpo; - Aparecimento de um sinal novo ou alteração num sinal já existente; - Ferida que não passa, ou seja, cuja cicatrização não acontece; - Rouquidão ou tosse que não desaparece; - Alterações relevantes na rotina intestinal ou da bexiga; - Desconforto depois de comer; - Dificuldade em engolir; - Ganho ou perda de peso, sem motivo aparente; - Sangramento ou qualquer secreção anormal; - Sensação de fraqueza ou extremo cansaço; Nestas situações vão ao médico de família. Isto não que dizer que haja cancro mas o médico de família mandará fazer os exames necessários para esclarecer a questão. Meus amigos, o cancro tem cura, mas é importante que a sua deteção seja feita precocemente para que os tratamentos atuem melhor e com menos agressividade.
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