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Carlos Pereira

49 anos Linfoma Não Hodgkin, 2000, Doente
Quando me foi diagnosticada a doença, a questão que coloquei imediatamente ao médico foi a de saber o que é que se tinha de fazer para atacar rapidamente o mal. Nem sequer vacilei. Não vale a pena fazermos de nós próprios mais vítimas do que o que já somos pelo simples facto de termos uma qualquer doença. Sempre tive e tenho essa atitude quando me senti e sinto doente. Talvez por essa razão, naqueles dias em que transportava comigo o linfoma não-Hodgkin, apesar de o meu corpo experimentar temperaturas elevadas, eu não o fazia transparecer, de modo que a médica que nessa altura me acompanhava ainda hoje comenta esse facto “este rapaz andava aí pelos corredores com 39.º como se nada fosse”.Fui muito picado naqueles 9/10 meses que mediaram entre a minha primeira entrada no hospital (quando ainda não sabia o que tinha) e a última sessão de quimioterapia. Para mim, essa foi uma das duas piores facetas do assunto, uma vez que detesto agulhas - já cheguei a desmaiar ao fazer análises e portei-me como um bebé chorão ao fazer os mielogramas. Contudo, esse receio de poder ser espetado por agulhas não me inibe de consultar médicos quando tem de ser (nunca tarde de mais), nem de fazer tratamentos ou exames que sejam necessários para debelar as doenças. Só tenho que pensar que é uma situação passageira e que para ficar bem aquilo tem de ser feito. Levei várias transfusões de sangue. Fiz análises sem conta. Passei, como já referi atrás, pela experiência de 3 mielogramas (mais outro, já efetuado há poucos anos atrás). Tiveram de me retirar o baço porque ele já estava quase a colapsar. Se isso acontecesse, era o fim. Depois, seguiram-se os meses de quimioterapia. Sempre enfrentei tudo com a maior naturalidade, exceto a questão das agulhas e o período pós-operatório (foi muito doloroso). Mas fui sempre perseverante, pois sabia que estava a lutar por melhor qualidade de vida. Um ano depois da extirpação do baço, voltei a ser operado de urgência. Embora o mal fosse outro, um volvo intestinal, também já numa fase muito perigosa, ele estava relacionado com a operação de remoção do baço, dado que nessa (segundo me disse o médico que me operou nos dois casos) houve necessidade de colocar o intestino fora do meu corpo, para melhor atuação, e de o repor novamente no seu espaço. Isso, normalmente, provoca situações como a que eu experienciei. Devo referir que em ambas as intervenções cirúrgicas as minhas últimas palavras antes de me adormecerem foram: “boa sorte para todos! até já!”. Para terminar, o meu humilde conselho: “em todas as fases negativas que atravessem na vossa vida nunca esmoreçam, nunca se entreguem, lutem sempre. Ainda que a ajuda de quem vos rodeia seja preciosa, a maior e melhor será sempre a que vocês derem a vós próprios. Boa sorte e boa saúde para todos!
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