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Christina Mattos Luzes

47 anos Ovário, 2007, Doente
Em abril de 2004 tive uma filha, de cesariana, estava tudo bem. Em outubro de 2006 fiz o papanicolau e deu negativo, mas o meu médico do centro de saúde, que fez o exame clínico, logo constatou algo de diferente. Fiz os devidos exames e a cirurgia (laparotomia exploradora) em junho de 2007. O meu marido e as minhas filhas mais velhas, 15 e 18 anos na altura, optaram por não me dizer que havia sido um carcinoma maligno. Assim, em agosto fui chamada para quimioterapia, para minha surpresa. Portanto, compreendi e aceitei muito bem a situação mas, após três dias da primeira sessão de quimioterapia, vieram as febres (…). Muitas dores nas costas, dedos roxos. Após quase uma semana, uma amiga minha, a minha Anjinha, resolveu levar-me diretamente ao hospital (…). Fui internada durante 10 dias. Sofri muito, além da “solidão”, das dores, da transfusão que tanto me custou, pelas minhas filhas pequenas, que não podia vê-las. A equipa médica responsável foi a “peça” fundamental da minha recuperação (…), todos muito queridos, desde os auxiliares, enfermeiros e médicos. Não posso deixar de agradecer a uma enfermeira que me deu a sua comida quando fui internada, pois o jantar já havia terminado (…)! Foram dias muito difíceis, com muita oração, fé e esperança. Tudo passou, tive uma festa de boas vindas e tudo, fiquei emocionada, e assim foram decorrendo outras sessões, sempre com o acompanhamento da minha filha e o amor e dedicação do meu marido (…). Desde os anónimos até aos mais presentes, com pequenos e grandes gestos. Mas foi fundamental o carinho, a atenção de todos, dos bombeiros, dos amigos doentes e parceiros de radioterapia. Nestes momentos tudo faz a diferença! E uma vela que foi acesa, um pedido a Deus Pai, uma palavra lá do outro lado do mundo, cada minuto que me vinham ver, sorrir ou chorar. Além de deixar o momento mais difícil, deixo aqui a importância das pessoas, dos familiares em nossas vidas. (…) Vale a pena lutar e vencer! Vivendo cada dia de cada vez, na paz e no amor. Obrigada ao grande trabalho da psico-oncologia, é importante para mantermos o nosso equilíbrio mental e sentimental. Agradeço a Deus por ter tido a oportunidade de viver mais alguns anos, e não deixem de lutar, porque mesmo que passemos para o outro lado, conseguiremos ter a certeza que lutamos e continuaremos a nossa batalha. Com carinho.
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