Voltar

Frederica Lima

26 anos Colo-Rectal (Intestino), 2012, Familiar
O meu Pai (Comandante reformado da Marinha) era um jovem de 63 anos muito bem disposto, divertido, gostava de aproveitar a vida, fazia desporto, passeava os cães e era um verdadeiro Pai, Marido e Homem de família. Enquanto filha, só posso dizer que era como se fossemos almas gémeas, bastava um simples olhar para que a mensagem passasse.
Recordo-me do dia em que ouvi o meu Pai a comentar com a minha mãe que pareceu ver sangue nas fezes. Desde esse dia, e eu que sempre fui muito desconfiada, fiquei em alerta máximo e pressionei-o para fazer exames, ele fez! Aliás ele tinha uma colonoscopia feita há ano e meio... Fez vários tipos de exames, inclusive apalpação na barriga. Infelizmente, todos os diagnósticos foram errados.
Imediatamente no dia seguinte à consulta da apalpação (foi à consulta porque a barriga estava bastante inchada), o meu Pai entrou de urgência no Hospital, super aflito com dores e, no processo de espera, ele chegou a vomitar fezes e sangue. Foi operado de urgência... Os médicos disseram que o meu Pai tinha um cancro e que este já estava disseminado por todo o abdómen - carcinomatose peritoneal. Podem imaginar a frustração que é um Homem tão activo, que cumpria as visitas ao médico, fazia exames, fez um batalhão de exames nessa semana (...).

O meu Pai era um lutador, fez tudo o que lhe foi recomendado em termos de alimentação e lutou pela vida enquanto foi possível, fez quimio (...). 

A minha maior frustração é que sempre tive o pressentimento que o meu Pai ia ter cancro, e de alguma forma sinto-me culpada por não ter pressionado os médicos ou a ele para fazer mais exames, que a minha mãe sempre procurou soluções na internet e enchia os médicos de perguntas e pedindo explicações para tudo... (...)

Deixo este testemunho para dizer que o cancro não é fácil, nem para o doente nem para a família (...). Trabalhem em família, em equipa, dividam o cansaço, a dor, e procurem soluções alternativas, mais do que um médico, mais do que um exame, mais do que uma opinião. Façam TUDO o que estiver ao vosso alcance.

O que mais me orgulho em toda esta história, é o facto de mesmo quando todos já tinham desistido e todos me diziam "Frederica restam-lhe poucos dias... Não há nada a fazer" NÓS (eu e ele) ainda acreditávamos, ainda sorriamos, e sabemos que demos tudo o que tínhamos. Recordo-me de o meu Pai mal se mexer, mal conseguir falar, ligado a 3 ou 4 tubos... Assim que o médico lhe disse que se ele conseguisse deslocar-se até à WC e fazer chichi normalmente (sem ser pelo tubo) que poderia ser uma ajuda/evolução, o meu Pai mesmo cheio de dores saltou da cama e quis andar nos corredores com os tubos todos atrás numa última tentativa de recuperação. Faleceu cerca de 8 meses depois da primeira de três cirurgias, no dia 20 de Maio, Dia da Marinha.

Orgulho-me do Pai que tive por saber que ele nunca desistiu.

Nunca desistam, lutem até ao fim.
Voltar

Outros Testemunhos

  • É com grande tristeza que eu estou a dar o meu testemunho pois infelizmente perdi a minha mãe em 7 meses, com um tumor no recto. Sinto-me derrotada pois...Almerinda Marta, 36 anos, Colo-Rectal (Intestino), 2010Ler mais
  • 25/08/2016 - Data que ficará para sempre gravada na memória. Dia em que recebo uma notícia que, por momentos, pensava que o...Cristiano Santos, 28 anos, Colo-Rectal (Intestino), 2016Ler mais
  • Foi-me diagnosticado um adenocarcinoma no colón, no dia 1 de setembro de 2008, tinha 28 anos! Fiquei em estado de choque, nós pensamos sempre que acontece...Mafalda, 30 anos, Colo-Rectal (Intestino), 2008Ler mais
  • Foi diagnosticado um cancro ao meu companheiro. Os médicos aconselharam que fosse operado o mais rápido possível. Tratámos de tudo para que a...Ana S, 41 anos, Colo-Rectal (Intestino)Ler mais
  • Em fevereiro de 2010 foi-me diagnosticado um adenocarcinoma da sigmoideia, ou seja, um tumor maligno no intestino, a 12 cm do reto, através de uma...Maria Vivaldo, 45 anos, Colo-Rectal (Intestino), 2010Ler mais
  • Em 1999, foi-me diagnosticado um cancro nas cordas vocais, originado em grande parte pelo tabaco. Fui operado e fiz trinta e cinco aplicações de...Alcides Horta, 65 anos, Colo-Rectal (Intestino), 2006Ler mais
Apoios & Parcerias