Voltar

Graça Luzia

49 anos Mama, 2005, Doente
“Há coisas que se podem escrever quando já não dói ...”Não há datas mágicas, mas já lá vão cinco anos.No dia 18 de janeiro de 2006, ouvi a sentença, nas palavras do médico: “A senhora tem um nódulo, a imagem não engana, é maligno”. Deu-se um apagão, o meu mundo ficou às escuras, o médico continuou a falar sobre o que se seguiria, (cirurgia, tratamentos...), mas eu já não o ouvia, as lágrimas teimavam em cair, eu disfarçava a todo o custo, procurando desesperadamente demonstrar uma força que já não tinha. Os dias seguintes foram terríveis, os meus pensamentos iam para os meus filhos, com 14 e 6 anos na altura, eles precisavam tanto de mim. A ideia da morte, que sempre associamos ao cancro, pairava sobre mim e tive medo, muito medo! Quando expliquei aos meus filhos que tinha cancro, escolhi as palavras adequadas à idade deles, mas não lhes ocultei a gravidade da situação. Olharam me nos olhos e perguntaram- me: “ Mas a mãe vai ficar boa?” E eu respondi: “A mãe vai ficar boa. Prometo.” E naquele preciso momento, decidi que tinha que cumprir a promessa e decidi lutar contra um “gigante”, numa luta muitas vezes desigual, mas que até hoje estou a vencer. Ao longo destes cinco anos, houve, a mastectomia, a quimioterapia, o mal-estar provocado pelos tratamentos, a queda do cabelo, o medo, a angústia, mas também houve e continua a haver muita força, muita vontade de viver. E quando me perguntam, de onde vem essa força, eu respondo: dos meus filhos maravilhosos - do meu marido - da minha família - dos meus amigos. Amanhã? Amanhã é outro dia. Outro tempo. Um dia e um tempo que ninguém conhece!
Voltar

Outros Testemunhos

  • Tudo começou com o auto exame, numa manhã de junho quando tinha 45 anos.Detetei um caroço na axila esquerda. De imediato fui ao meu médico, pois...Maria Silva, 59 anos, Mama, 1999Ler mais
  • Tudo começou em dezembro de 2008, quando detetei, por acaso, um nódulo no peito. Na altura fiquei em pânico, marquei de imediato uma consulta e o médico...Rita, 29 anos, Mama, 2009Ler mais
  • Chamo-me Eduardo Marques. 38 anos. Vendedor. Um homem, como outro qualquer. Com uma diferença para muitos outros, que o torna menos igual entre iguais -...Eduardo Marques, 38 anos, Mama, 2013Ler mais
  • Em junho de 1991, depois de uma mamografia, por causa de um pequeno “altinho” na parte inferior da mama esquerda, que teimava em não desaparecer, li no...Gabriela, 57 anos, Mama, 1991Ler mais
  • 1 de junho de 1999, dia da criança. Foi na brincadeira com as minhas filhas que uma delas me tocou no peito e me doeu. Apalpei de imediato o local e...Isabel, 56 anos, Mama, 2001Ler mais
  • Olá. Eu também já lutei contra o cancro da mama, hoje sou uma vencedora pois já passaram 5 anos e dia 23 soube da grande notícia: já fazia parte do...Anónimo, 47 anos, Mama, 2007Ler mais
Apoios & Parcerias