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Ivelice Gonçalves

38 anos Estômago, 2009, Doente
Todos me conhecem por Ive. Continuo a ser a "Ive" que todos conheceram, ainda com alguns medos, mas mais forte e muito mais decidida. Com 34 anos, numa endoscopia de rotina foi revelada a presença de um carcinoma. Na época, fiquei muito abalada e triste mas até nem me pareceu muito surpreendente porque a minha avó paterna e o meu pai foram vítimas desta doença e, neste caso específico, de cancro gástrico. Fui submetida a uma gastrectomia total. Não existiram complicações e a recuperação foi relativamente rápida. A minha força de vontade era gigantesca e durante esse tempo preparei-me para o pior. Mas, felizmente tive alta sabendo que a cirurgia tinha sido curativa e que não precisava de quimioterapia, nem de radioterapia. Fiquei muito, muito feliz! Um pouco aliviada! Havia uma grande esperança de ficar curada! Perdi 8 Kg, mas estava estabilizada, a recuperar e a conhecer o meu novo aparelho digestivo. Mesmo assim, fiquei sempre muito apreensiva e optei por fazer os tratamentos de quimioterapia e radioterapia. Fiquei internada e recuperei algumas forças, tive alta. Cheguei a ter 40 Kg! Chorei muito. Tornei-me egoísta e individualista. Fiquei intolerante, arrogante e insolente. Achava que ninguém me compreendia e que me tinham abandonado. Disse disparates. Maltratei pessoas que me amavam. Por momentos, esqueci que tinha uma filha. Divorciei-me. Enfim, em dois anos e meio de obsessão, não morri de cancro, mas perdi muita coisa importante da minha vida que, se calhar, nunca mais vou recuperar. Foi um processo muito moroso de restabelecimento. Continuo a fazer os meus exames de rotina e mais alguns. Continuo a trabalhar e continuo a ser mãe, boa mãe. Todos continuam do meu lado porque nunca me abandonaram! Sou feliz, não na plenitude, mas para lá caminho. Sou voluntária da Liga Portuguesa Contra o Cancro e pela vida, vivo! E continuo porque ainda tenho muitos sonhos e realidades para viver. Nunca desistir, para poder sorrir!
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