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Luísa Sacramento

41 anos Estômago, 2017, Doente
Em Outubro de 2017 foi me diagnosticado um carcinoma maligno no estômago. O meu mundo tremeu, tiraram o chão ao meu marido, os meus dois filhos ainda pequenos (uma filha com 12 anos e um filho com 6 anos) ficaram assustados. Quando o médico falou comigo só quis saber o que fazer. Em casa tentámos manter tudo dentro da normalidade por causa das crianças, para o meu marido foi muito difícil, eu brinquei com a situação até ser chamada para a operação. Quando o telefone tocou a dizer "amanhã no hospital às 08h30", chorei o resto do dia e a noite toda, não com medo da operação mas sim saudades da família e dos amigos. Estive 12 dias no hospital. Psicologicamente foi terrível, apesar de toda a equipa ser excelente. Neste processo não fiz muitas perguntas aos médicos. Em Dezembro já parecia outra pessoa e aproximava-se uma nova fase, os tratamentos. Sabia que iria iniciar os tratamentos em Janeiro e estava em pânico porque existem pessoas que teimam em deixar-nos assustados com os seus comentários. No dia 2 de Janeiro entrei na sala de tratamentos com os olhos rasos de água, sozinha por opção. Fiiz 5 meses de tratamentos (quimioterapia e radioterapia). No primeiro mês fui "ao tapete", isolei-me, não tirava o pijama, ficava em casa. No segundo mês decidi deixar de ter medo, já sabia para o que ía, então comecei a ir tranquila para os tratamentos, a conviver com a minha nova "família" do hospital de dia, comecei a aproveitar as semanas boas para estar com o meu marido e com os meus filhos, a viver cada dia intensamente, precisava de manter o meu cérebro ocupado e fui fazer formação. Saí do fundo do poço onde tinha entrado por medo e aqui estou hoje a continuar a recuperar. Terminei os tratamentos em Maio e saí da sala de tratamentos novamente com os olhos rasos de água, mas desta vez por estar a concluir mais uma etapa e, apesar da doença, ficam as saudades dos enfermeiros que nos fazem os tratamentos.Vou fazer exames para ver se está tudo bem e sei que vai estar, tenho muita fé em Deus, nos médicos e em mim. Sou uma sortuda porque tive a minha família e amigos sempre ao meu lado, que souberam estar no momento certo sem eu ter que pedir ajuda. Claro que também tive aqueles amigos que fugiram e até hoje não voltei a vê-los mas, os bons e verdadeiros estavam lá e , além disso, ganhei novos amigos, que entendem como eu todo este processo. Vou ficar em vigilância e acredito que vou morrer de velhice como a minha avó com mais de 90 anos. Estou cá para contar a minha história e dar o meu apoio a quem necessitar. Costumo dizer "não tenho estômago para isto" mas também não preciso dele para travar esta luta. Deixo o meu obrigado a toda a equipa médica, em especial a todos os enfermeiros, aos meus amigos, ao meu marido/companheiro nesta luta por todo o apoio e carinho que me deu e aos nossos filhos.
 
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