Voltar

Marco Aurelio da CunhaSantos

59 anos Mama, 2010, Familiar
Corria o ano de 2010. Era um ano de novas esperanças, com o nascimento de uma nova neta. As forças já tinham sido retemperadas com o usufruto de merecidas férias. De repente toca o telemóvel. Era da equipa do rastreio móvel da LPCC a dizer para a minha esposa ir de imediato fazer um novo exame pois tinha sido detetado um pequeno nódulo no rastreio. O mundo como que desabou em nossas cabeças. Havia ainda a dúvida de ser benigno ou não, mas a terrível ferida em nossos corações já estava aberta. Após os intermináveis exames, o resultado apareceu esmagador: era um cancro da mama, maligno. As lágrimas queimaram-nos os nossos rostos atormentados. Os nossos cérebros entraram em espécie de cataclismo, tanta era a revolta, perguntas, dúvidas, sentimentos de raiva e impotência, bem como a antevisão de um futuro que se esperava longo e doloroso. Foi feito então o protocolo: seis sessões de quimioterapia, extração total do peito esquerdo, mais quatro sessões de quimioterapia, seguidas de vinte e cinco de radioterapia. A caminhada foi muito dolorosa; houve a inevitável queda do cabelo, houve noites e dias de choro e cansaço, houve muita fé, orações e esperança, mas sobretudo houve uma família unida, bem como um apreciável número de amigos que nos ampararam a fim de evitar a queda no abismo do desânimo total. É esta família que deve ser chamada e educada para acompanhar o ser amado que sofre. São estes amigos que devem ser para sempre lembrados pelos seus gestos altruístas. São todos os momentos de fé, independentemente do credo ou religião, em simbiose com o próprio doente e pessoal médico que nos ajudam no caminho de uma vitória moral sobre a doença. Peço a todos os familiares e amigos: não abandonem os vossos familiares. As vossas palavras, gestos e atos são como milagrosa água, no caminho da cura. No meu caso pessoal, penso que a minha esposa com todos os nossos apoios está a vencer o monstro que dela se quis apoderar. Obrigado a todos. E tu, mulher ou homem, a quem este terrível espetro bateu à porta tem fé, coragem, esperança e, sobretudo, nunca te isoles. A vitória é difícil, mas há-de ser nossa. Beijos e abraços a todos vós que sofreis e a vós Liga Portuguesa Contra o Cancro: obrigado!
Voltar

Outros Testemunhos

  • Sete de janeiro de 2010, dez horas e trinta e nove, faz exatamente um ano hoje, em que eu estava numa sala (batizei a minha sala de spa) a fazer a minha...ISABEL CARDINAL, 38 anos, Mama, 2009Ler mais
  • Após uma consulta de rotina de ginecologia, e consequente mamografia, foi-me diagnosticado carcinoma da mama no dia 27 de julho de 2012. Esse dia foi, sem...Cristina Caeiro, 41 anos, Mama, 2012Ler mais
  • Cancro - medo, morte, desespero, dor, solidão... Para mim, que me vi confrontada com um cancro de mama, sem qualquer tipo de sintomas numa rotina de...ILIDIARIBEIRO, 50 anos, Mama, 2004Ler mais
  • Aos 58 anos, numa mamografia de rotina, foi-me diagnosticado cancro de mama. Fui operada no dia em que fiz 59 anos. Fui muito acarinhada por todo o pessoal...maria, 61 anos, Mama, 2008Ler mais
  • Em julho de 2006, tinha eu 20 anos, o meu mundo tremeu. No dia em que a minha mãe fez uma mamografia, soube-se que tinha cancro da mama. Entretanto, em...Diana Damião, 27 anos, Mama, 2006Ler mais
  • Todas as noites visito esta página para, de alguma forma, não me sentir só neste sofrimento que é perder a mãe (a melhor do mundo) com esta doença...Sara, 43 anos, Mama, 2014Ler mais
Apoios & Parcerias