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Maria Helena Toste da Silva

59 anos Mama, 1999, Voluntário
Tudo começou com o auto exame, numa manhã de junho quando tinha 45 anos.Detetei um caroço na axila esquerda. De imediato fui ao meu médico, pois estava muito consciente do meu corpo e, algo me dizia que esta era uma situação diferente. O médico começou por me sossegar pois era vigiada regularmente e dois meses antes havia feito mamografia e ecografia e nada tinha sido detetado. Mas como a minha mãe havia morrido de cancro da mama e tenho mais casos na família, não descansei pois estava consciente de que era uma pessoa de risco e, infelizmente, após vários exames foi-me confirmado o que mais temia, um carcinoma na mama esquerda.As primeiras horas e até dias, após a confirmação deste diagnóstico, foram muito dolorosas e desesperantes, tudo parecia que tinha acabado para mim pois, infelizmente, nessa altura ainda tinha a ideia de que cancro era sinónimo de morte, mas não, com a ajuda inestimável do meu marido e dos meus filhos, a Catarina e o Luís Filipe, bem como de muitos amigos, toda a família, colegas de trabalho, testemunho de amigos que haviam passado pela mesma experiência consegui perceber que a vida tinha que continuar, talvez com algumas dificuldades físicas, mas era isso que eles esperavam de mim.Foi com todo esse apoio e força transmitida, que consegui reagir e lutar pela vida. Assim, comecei por fazer uma mastectomia radical, seguida de quimioterapia, radioterapia, complementada até hoje com outras medicações. Os primeiros anos foram muito difíceis tanto para mim como para todos os que me acompanharam nesta caminhada, mas valeu a pena, hoje sinto-me feliz, realizada, cheia de vida e planos, digo a brincar que me tornei uma mulher com garantia de vida de um ano, pois é esse o período que medeia os meus exames de rotina.O meu lema é viver a vida dia a dia, ser feliz e ajudar quem de mim precisa. Façam como eu, não baixem os braços, não desistam, pois vale a pena lutar pela vida, com cirurgia ou não, com tratamentos, tudo o que for preciso. A vida tem que continuar.Passados 14 anos, sou voluntária do Movimento Vencer e Viver do Núcleo Regional da Madeira da Liga Portuguesa Contra o Cancro, um movimento de entre - ajuda que visa o apoio a todas as mulheres, familiares e amigos desde o momento em que é diagnosticado um cancro da mama. Baseia-se no contacto pessoal entre a mulher que se encontra a viver uma situação de particular vulnerabilidade e uma voluntária, que vivenciou uma situação semelhante.
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