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Maria Olivia BarbosaMendes

63 anos Colo do Útero, 1985, Doente
Em março de 1985 estava um pouco magra e tinha tido uma hemorragia um pouco estranha. Contactei a minha médica ginecologista, que me acompanhava na altura. Mandou fazer uma ecografia ao útero uma vez que em janeiro a citologia estava negativa. Resultado? Positivo para células neoplásicas! Fiquei sem saber o que pensar quando me ligaram do Centro de Saúde a dizer que tinha de lá ir com urgência. Fui logo encaminhada para o IPO. Estava muito tranquila pois dizia para mim mesma (se calhar para me consolar e com medo de encarar a realidade...) que me tinham trocado as análises. Entrei no IPO a 13 de julho e saí a 13 de agosto. Fiz a primeira cirurgia a 15 de julho, a conização, uma vez que o tumor estava localizado. O pior foram as hemorragias que tive, nos dias 22 e 28 de julho, em que neste último dia tive de ir ao bloco operatório. Estava tão magra e tão obcecada com a perda de sangue que deixei de dormir (a hemorragia grande tinha sido à noite). Por fim, a equipa médica decidiu pela histerectomia que foi a 2 de agosto e ainda fiz lá umas injeções de quimioterapia. Durante o tempo de internamento nunca me deixei ir abaixo e dizia que tinha de sair de lá com vida. Pensava nas minhas filhas tão pequenas, com 6 e 4 anos e aí tinha as minhas forças. Comia e fazia tudo o que o pessoal do hospital dizia pois queria sair de lá e acreditava neles. Fui muito bem tratada, tive o apoio da minha família, dos meus amigos e do pessoal da Liga Portuguesa Contra o Cancro, que faz voluntariado no IPO. Digo sempre que metade da cura está em nós, na nossa cabeça, nas nossas energias que têm que ser positivas. Aconselho sempre às pessoas que devem estar atentas ao seu corpo e não descurar de algum sintoma estranho e não deixarem passar o tempo. O cancro tem cura se for apanhado a tempo. Não me esqueço até hoje de como me sentia durante esse tempo e os outros que se seguiram, desta experiência que a vida me reservou e que fez com que aprendesse a sentir o sabor de estar aqui e de relativizar os problemas. Fui às consultas no IPO durante 5 anos. Sou seguida regularmente pelo meu ginecologista e sou considerada curada.
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