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Simplesmente avó

58 anos Leucemia, 2011, Familiar
No dia 1 de agosto o pesadelo voltou a bater à porta da minha família. Pela segunda vez, o cancro atingiu-nos. Mas desta vez de uma forma mais atroz, por se tratar de uma criança de três anos. Uma criança de quem ajudei a cuidar desde que nasceu. Aparentemente saudável, cheia de alegria e de vida. Após o choque inicial fui à luta com ele e os pais. Durante o tempo de internamento dediquei-me à campanha que será a causa da minha vida: a luta (dentro das minhas possibilidades) contra o cancro. Elaborei e distribuí folhetos pelos comerciantes da cidade, pedindo que afixassem nas montras, a sensibilizar as pessoas no sentido de ajudarem as associações que apoiam esta causa (nomeadamente a LPCC). Neles apelava à doação de sangue e de medula, explicava como fazer a consignação de 0,5% do IRS. Tenho falado disto aos amigos e muitos deles desconheciam esta possibilidade. Eu própria me tornei dadora de sangue. Já comecei a sensibilizar amigos e conhecidos para que prescindam de presentes de natal e ofereçam o respetivo valor a uma das associações que lutam contra o cancro. Eu própria farei isso a partir deste ano. Esta ideia encontrei-a num dos sites duma associação: há já quem o faça com os presentes de casamento. Resolvi adaptá-la para todas as situações que envolvem ofertas de presentes. Sem dúvida que a vida é o melhor presente que podemos oferecer. Estou a falar disto a toda a gente e espero que o próximo natal seja de uma grande solidariedade para com os doentes com cancro. Neste momento cuido do meu neto para que os pais possam prosseguir a sua vida profissional. Nele encontro a força de que preciso. Rimos e brincamos como sempre fizemos, permito-me ser alvo do seu fantástico sentido de humor. Nem sempre é fácil mantê-lo em casa quando toda a família sai mas arranjo sempre qualquer coisa divertida para fazer e ajudá-lo a esquecer que também ele queria sair e ir à sua vida normal. Estou a aproveitar ao máximo este tempo com ele e fazemos tudo o que nos lembramos, desde contar histórias, brincar com legos, “nadar” no chão como dois peixinhos. Apesar de tudo é muito gratificante estar com ele pois permite-me ajudá-lo a ser feliz e a mim própria acreditar que vamos todos vencer este pesadelo. Esta situação veio sem dúvida tornar-me uma pessoa diferente, que pensa mais nos outros e que, embora tarde, encontrou a causa da sua vida: ajudar pessoas com cancro. Uma palavra de agradecimento profundo aos voluntários da Liga que me ajudaram, com o seu exemplo, a perceber o quanto podemos tornar a nossa vida útil e com sentido. E, se me permitem, uma palavra de agradecimento aos excelentes profissionais que encontrámos no IPO.
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