Testemunhos QUEBRAR O SILÊNCIO
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Sónia Santos
25 anos Mama, 2021, Doente Fui diagnosticada com cancro com 21 anos.
Inicialmente houve uma grande descriminação por que ser muito nova, o que se referia a meses de espera para efetuar uma ecografia. Pus os pés ao caminho e fui fazer os exames de forma privada. Após todos os resultados, todos os exames e todo o processo, o dia em que comecei o primeiro tratamento iria ser o dia em que ia fazer a ecografia, sendo que me foi dito que durante os dias dos exames o meu nódulo cresceu imenso, juntamente com outros em fase de crescimento e que era bastante galopante.
Um dia, jurei a mim mesma que o cancro não ia dar cabo de mim, e que iria fazer de tudo para que pudesse alcançar esse objetivo.
Achar que o cancro de cada um é só de quem o tem é injusto. Este cancro não foi só meu. À nossa volta, os nossos, a família, amigos e pessoas que nos querem bem, vivem e sofrem à sua maneira também. Tem medo de ficar sem nós, e também a natureza do amor que sentem por nós faz com que, na melhor das intenções, acabem por agir connosco de forma a que nos perturbem e magoem. Mesmo nos momentos menos bons e que nos vamos abaixo, ou então que queiramos estar sozinhos, mesmo que sejamos brutos e afastemos toda a gente naquele momento, isso não significa que queiramos que se vão embora para sempre. É uma situação nova para todos, ninguém tem obrigação de saber lidar por isso se não souberem o que dizer, não tem mal, digam que não sabem o que dizer. Mesmo que se sintam fragilizados não se esqueçam que o importante é quem está doente.
Inicialmente, queremos fugir do que nos deixa tristes, mas neste contexto a tristeza existem em grande quantidade. Assim não a alimentem junto de quem está doente mas aceitem. Chorar faz parte e é necessário. Faz algum sentido estar doente e estar alegre e contente? Claro que não! Não exijam uma alegria que não se pode sentir nem acrescentem uma tristeza que já existe. Aceitem que as mudanças de humor são normais por isso se ouvirem uma palavra menos justa não tomem pelo lado pessoal. Mesmo que vos custe compreender e acompanhar de perto não desapareçam, não se afastem, mantenham-se presentes.
Há pessoas com quem temos a sorte de nos surpreender, e que nos mostram o caminho bonito, com boas energias, coisas positivas e emoções boas.
Os medos, as angústias, as dores e o desconforto são incontroláveis mas também a alegria, o apoio, o afeto e o amor que recebi de tanta gente foi um grande ponto para o meu processo.
Nesta caminhada, as palavras dolorosas também tiveram lugar na minha cura.
Ficar com uma mecha de cabelo na mão foi das piores sensações que já senti. A batalha finalmente acabou, o amor cura.
“Calça os meus sapatos e diz-me como foi o caminho.”
Inicialmente houve uma grande descriminação por que ser muito nova, o que se referia a meses de espera para efetuar uma ecografia. Pus os pés ao caminho e fui fazer os exames de forma privada. Após todos os resultados, todos os exames e todo o processo, o dia em que comecei o primeiro tratamento iria ser o dia em que ia fazer a ecografia, sendo que me foi dito que durante os dias dos exames o meu nódulo cresceu imenso, juntamente com outros em fase de crescimento e que era bastante galopante.
Um dia, jurei a mim mesma que o cancro não ia dar cabo de mim, e que iria fazer de tudo para que pudesse alcançar esse objetivo.
Achar que o cancro de cada um é só de quem o tem é injusto. Este cancro não foi só meu. À nossa volta, os nossos, a família, amigos e pessoas que nos querem bem, vivem e sofrem à sua maneira também. Tem medo de ficar sem nós, e também a natureza do amor que sentem por nós faz com que, na melhor das intenções, acabem por agir connosco de forma a que nos perturbem e magoem. Mesmo nos momentos menos bons e que nos vamos abaixo, ou então que queiramos estar sozinhos, mesmo que sejamos brutos e afastemos toda a gente naquele momento, isso não significa que queiramos que se vão embora para sempre. É uma situação nova para todos, ninguém tem obrigação de saber lidar por isso se não souberem o que dizer, não tem mal, digam que não sabem o que dizer. Mesmo que se sintam fragilizados não se esqueçam que o importante é quem está doente.
Inicialmente, queremos fugir do que nos deixa tristes, mas neste contexto a tristeza existem em grande quantidade. Assim não a alimentem junto de quem está doente mas aceitem. Chorar faz parte e é necessário. Faz algum sentido estar doente e estar alegre e contente? Claro que não! Não exijam uma alegria que não se pode sentir nem acrescentem uma tristeza que já existe. Aceitem que as mudanças de humor são normais por isso se ouvirem uma palavra menos justa não tomem pelo lado pessoal. Mesmo que vos custe compreender e acompanhar de perto não desapareçam, não se afastem, mantenham-se presentes.
Há pessoas com quem temos a sorte de nos surpreender, e que nos mostram o caminho bonito, com boas energias, coisas positivas e emoções boas.
Os medos, as angústias, as dores e o desconforto são incontroláveis mas também a alegria, o apoio, o afeto e o amor que recebi de tanta gente foi um grande ponto para o meu processo.
Nesta caminhada, as palavras dolorosas também tiveram lugar na minha cura.
Ficar com uma mecha de cabelo na mão foi das piores sensações que já senti. A batalha finalmente acabou, o amor cura.
“Calça os meus sapatos e diz-me como foi o caminho.”
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