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Vitor Paixao

46 anos Melanoma, 2004, Doente
Corria o ano de 2002 e eu, na altura com 37 anos, comecei a sentir dores no olho esquerdo. Fui ao médico de família que me diagnosticou enxaquecas. A dor voltou passados poucos meses e aí fui ao hospital, o diagnóstico foi o mesmo. Em maio de 2004, quando estava conduzir para a praia, com a família, veio uma crise de dor mais forte e reparei que deixei de ver do olho esquerdo. Fui ao hospital e aí viram que era algo grave dentro do olho. (…) Alguns dias depois operaram-me de urgência no IPO, porque o tumor já tinha 19mm de tamanho (melanoma da coróide). Fiquei sem o olho e, três dias depois, estava em casa e no trabalho, porque mesmo sem um olho, não deixaria de fazer a minha vida normal. Fui sempre seguido e, em 2008, apareceu a primeira metástase no músculo do braço direito. Fui operado e fiz uma PET, através da qual detetaram 3 metástases no fígado. Fiz 6 ciclos de quimioterapia e fui saber o resultado após a segunda PET. Os tumores aumentaram em tamanho e quantidade. Fiz outros 6 ciclos de quimioterapia e, no fim de mais seis meses, estava com 7 metástases no fígado e 1 no mediastino. (…) Passados sete anos, estou com pensos de morfina para tirar as dores abdominais, dormir, trabalhar, educar os filhotes e viver um dia de cada vez. Continuar a conviver com amigos, clientes e família, como uma pessoa normal. Não sei até quando o conseguirei, mas também não estou muito preocupado, pois a morte é uma consequência da vida e todos chegamos lá. Há dias que penso que quando isso acontecer será um descanso, pois tenho sofrido muito e sempre evitei partilhar esse sofrimento porque a minha mulher e os meus filhos não devem sofrer mais do que aquilo que já sofrem, pelo que sabem. Levanto-me sempre com força de vontade e de conseguir mais um dia, com a maior normalidade possível. (…) E faço-o tão bem que eles até se esquecem que o pai e marido está doente, principalmente naqueles momentos que me irritam e eu respondo como sou, algarvio marafado.
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